Publicado em 6 de março de 2026 às 12:21
Às vésperas do Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, um estudo divulgado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos revela que as mulheres já são maioria na chefia dos domicílios no Pará.>
O levantamento, produzido pelo DIEESE no Pará em parceria com o Observatório do Trabalho e a Secretaria de Assistência Social, Trabalho, Emprego e Renda do Pará, mostra mudanças importantes na estrutura das famílias e no papel econômico desempenhado pelas mulheres.>
De acordo com os dados da Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, com base na PNAD Contínua referente ao quarto trimestre de 2025, o Pará possui cerca de 2,782 milhões de domicílios. Desse total, aproximadamente 1,449 milhão — o equivalente a 52,09% — têm mulheres como responsáveis. Já os lares chefiados por homens somam cerca de 1,333 milhão, ou 47,91%.>
O cenário acompanha uma tendência observada em todo o país. No Brasil, existem cerca de 80 milhões de domicílios, sendo que mais de 41,8 milhões (52,33%) têm mulheres como chefes de família.>
Na Região Norte, o movimento também se repete. Dos cerca de 6,056 milhões de domicílios existentes, aproximadamente 3,141 milhões (51,87%) são comandados por mulheres.>
Segundo o estudo, o Pará ocupa a 10ª posição no ranking nacional entre os estados com maior número absoluto de mulheres na chefia dos lares. O estado também lidera na Região Norte nesse indicador.>
Os dados apontam ainda que o número de domicílios chefiados por mulheres continua em crescimento. No Pará, o total passou de 1,389 milhão em 2024 para 1,449 milhão em 2025, um aumento de 4,32% no período.>
Apesar do avanço, o levantamento destaca que muitas dessas mulheres ainda enfrentam desafios importantes. Mesmo assumindo a responsabilidade econômica dos lares, elas têm menor participação no mercado de trabalho formal e estão mais concentradas nas faixas de menor rendimento.>
Segundo a PNAD Contínua, o Pará possui cerca de 3,79 milhões de pessoas ocupadas. Desse total, 2,341 milhões são homens (61,8%) e 1,449 milhão são mulheres (38,2%). Entre as trabalhadoras, mais da metade recebe até um salário mínimo por mês.>
De acordo com o DIEESE, os dados mostram que, apesar do crescimento da presença feminina na chefia dos domicílios, persistem desigualdades de gênero no mercado de trabalho. Muitas mulheres acumulam a responsabilidade de sustentar a família e cuidar dos filhos ou de outros familiares, enfrentando, ao mesmo tempo, condições de trabalho mais precárias e rendimentos mais baixos.>
Para o órgão, o cenário reforça a necessidade de políticas públicas voltadas à ampliação do acesso das mulheres a empregos de qualidade, à valorização do trabalho feminino e à redução das desigualdades de gênero.>