Publicado em 16 de setembro de 2026 às 11:26
Cidade Criativa da Gastronomia pela Unesco desde 2015, a capital paraense vê na culinária não apenas uma identidade cultural, mas uma potente ferramenta de transformação social. No projeto Círio Iluminado 2026, mais de 500 pessoas de diversas comunidades estão sendo impactadas por ações formativas. Entre as mais concorridas, a oficina de gastronomia movimenta simultaneamente as comunidades da Vila da Barca, no bairro do Telégrafo, e São Lourenço, na Condor, promovendo o aperfeiçoamento de quem já faz da cozinha o seu sustento.>
Comandadas pela chef Lena Kato, que acumula 25 anos de experiência na culinária, as aulas focam em repaginar os pratos tradicionais da quadra nazarena. O cardápio do curso inclui desde o clássico vatapá até moqueca com tucupi, arroz cremoso de jambu e panificação regional, como o pão de castanha. "Trabalhamos receitas novas sem perder a raiz. Ensinamos técnicas diferenciadas, como o preparo de 'pirarucu falso' a partir da salga da pescada amarela", explica a chef.>
A técnica surpreendeu alunos como Jéssica Caroline, que deixou o emprego formal há nove meses para abrir o próprio negócio após anos trabalhando no mercado do Ver-o-Peso. "Estou aprendendo coisas que nem tinha noção e vou levar esses conhecimentos para o meu restaurante", relata. A oportunidade de aprimoramento também atraiu veteranos como Elton Monteiro com mais de duas décadas de atuação na culinária popular e afro-brasileira. “Trabalho com a comida paraense e baiana, o que estou vivendo aqui me abre novos horizontes para o meu futuro como empreendedor, vou sair daqui com outra visão do que posso fazer”, conta Elton.>
Para o diretor do Círio Iluminado, Olívio Rafael, o legado da formação vai além do aprendizado técnico. "A gastronomia deixou de ser apenas sobrevivência para se tornar valor de pertencimento e patrimônio. Capacitar essas pessoas garante condições de igualdade em um mercado competitivo e fortalece o turismo", destaca.>
Patrocinado pela Equatorial Pará por meio das leis de incentivo à cultura Rouanet e Semear, e com produção executiva da Associação Pernambucana Compartilhar (Aspecom), o projeto busca descentralizar as oportunidades. Segundo Michelle Miranda, analista de responsabilidade social da distribuidora de energia, a meta é conectar a força do Círio ao desenvolvimento territorial. "Queremos oferecer qualidade e geração de renda para que os moradores dessas comunidades não sejam apenas espectadores da celebração, mas protagonistas dela", pontua.>