Publicado em 29 de julho de 2026 às 12:59
Esperar pelo ônibus em Belém tem se tornado um exercício de resistência para quem depende do transporte público. Em diferentes pontos da capital, passageiros enfrentam estruturas deterioradas, ausência de cobertura, falta de sinalização e até acúmulo de lixo e fezes humanas nas paradas, cenário que compromete o conforto, a segurança e a acessibilidade.>
Na Avenida Pedro Álvares Cabral, um dos problemas mais relatados pelos usuários é a inexistência de um ponto adequado para embarque e desembarque. Sem abrigo e, em alguns trechos, até sem identificação da parada, passageiros aguardam os coletivos expostos ao sol e à chuva. O local também é utilizado para descarte irregular de lixo e entulhos, o que provoca mau cheiro e dificulta ainda mais a permanência das pessoas. Segundo moradores, mesmo quando os passageiros sinalizam, alguns motoristas deixam de parar.>
A reportagem do Roma News também esteve em uma parada localizada na esquina da Avenida Castelo Branco com a Avenida Governador José Malcher. No local, a estrutura metálica está enferrujada e em condições inadequadas. Além disso, lixo e fezes humanas foram encontrados na área destinada aos passageiros.>
A doméstica Sabrina Pereira conta que, além da precariedade da estrutura, a insegurança faz parte da rotina de quem utiliza o transporte público.>
"Além de não ter cobertura, a gente corre um risco muito grande, principalmente quando não tem quase ninguém na parada. Ficamos com medo de sermos assaltados", afirma a doméstica. >
Ela também relata que a ausência de placas de identificação causa dúvidas sobre o local correto de embarque.>
"A gente precisa perguntar onde fica a parada e, muitas vezes, os motoristas passam direto porque não percebem que estamos esperando", diz. >
O aposentado José Assunção, afirma que para os idosos, a situação é ainda mais difícil. "É muito pior para nós idosos, pois precisamos ter pelo menos uma sombra enquanto esperamos o ônibus", afirma.>
Quem utiliza diariamente a parada da Castelo Branco afirma que o problema se arrasta há anos. O auxiliar administrativo Eduardo Santos diz que a estrutura nunca recebeu uma reforma significativa.>
"Muitas paradas não têm estrutura para acomodar as pessoas. Essa aqui está há muito tempo sem reforma, principalmente a parte destinada aos cadeirantes", relata. >
Ele também compara a situação de Belém com a de outras capitais e afirma que a insegurança agrava ainda mais o problema.>
"Eu passo cerca de 20 minutos esperando o ônibus e quase não vejo policiamento. Muitas paradas ficam desertas, principalmente à noite, e isso deixa todo mundo inseguro", diz.>
A poucos metros dali, a reportagem encontrou outra parada onde existe apenas a placa de sinalização, sem qualquer cobertura para proteger os usuários do calor intenso característico do verão amazônico.>
O promotor de eventos José Júnior afirma que a falta de manutenção prejudica quem utiliza o transporte diariamente.>
"A gente precisa, pelo menos, de uma cobertura. Agora ainda está mais fresco, mas depois das dez horas o calor fica muito forte. A Prefeitura precisa dar mais atenção às paradas de ônibus", afirma. >
A situação encontrada pela reportagem evidencia um problema recorrente em Belém. Enquanto milhares de pessoas dependem diariamente do transporte coletivo para trabalhar, estudar e acessar serviços, muitas paradas seguem sem infraestrutura mínima, expondo passageiros à insegurança e à falta de acessibilidade.>
O Roma News solicitou um posicionamento da Prefeitura de Belém sobre a manutenção e revitalização das paradas de ônibus citadas na reportagem e aguarda retorno.>