Paralisação de rodoviários da Monte Cristo deixa milhares de passageiros sem ônibus em Belém

Funcionários protestam contra atrasos salariais e falta de benefícios; greve afeta cerca de 25 mil usuários das linhas da Pedreira, Sacramenta e Paraíso dos Pássaros.

Publicado em 22 de maio de 2026 às 15:03

Uma semana após decisão da Justiça, ônibus “Geladão” ainda não voltaram a circular em Belém
Uma semana após decisão da Justiça, ônibus “Geladão” ainda não voltaram a circular em Belém Crédito: Mateus Rodrigues/Ônibus Brasil

Funcionários da empresa de transporte Monte Cristo realizaram uma nova paralisação nesta sexta-feira (22), em Belém, em protesto contra atrasos no pagamento de salários, férias e benefícios trabalhistas, como o ticket alimentação. A mobilização comprometeu o transporte público da capital e ocorre menos de um mês após a última interrupção da categoria, registrada no dia 29 de abril.

A greve atinge diretamente cerca de 25 mil passageiros, principalmente moradores dos bairros da Pedreira, Sacramenta e do Conjunto Paraíso dos Pássaros, que dependem das linhas para se deslocar até o centro da cidade.

Entre as linhas afetadas estão: CDP Providência; Sacramenta–São Brás; Sacramenta–Humaitá; Sacramenta–Bernal do Couto; Pedreira–Nazaré; e Pedreira–Lomas A.

Em nota, o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belém (Setransbel) informou que a paralisação ocorre em meio às dificuldades financeiras enfrentadas pela empresa operadora. Segundo a entidade, a crise reflete o desequilíbrio econômico do sistema de transporte coletivo da capital paraense.

O sindicato patronal afirmou que um dos principais fatores para a situação é a diferença entre a tarifa paga pelos passageiros e a chamada tarifa técnica, considerada necessária para garantir o funcionamento adequado do sistema. De acordo com o Setransbel, a defasagem tarifária vem causando prejuízos acumulados às empresas de ônibus.

A entidade também destacou o aumento dos custos operacionais, como diesel, manutenção da frota, peças, salários e benefícios trabalhistas. Outro problema apontado foi a redução do número de passageiros pagantes nos últimos anos, o que, segundo o sindicato, compromete ainda mais a sustentabilidade do transporte público.

Ainda conforme o comunicado, a empresa Monte Cristo mantém negociações com os trabalhadores e com o sindicato dos rodoviários para tentar regularizar os pagamentos pendentes e normalizar integralmente a circulação das linhas afetadas.