Pescado fica mais caro em Belém e Prefeitura promete reforço na fiscalização dos preços

Levantamento do Dieese/PA e da Sedcon mostra aumento em 20 das 23 espécies analisadas; tucunaré liderou a alta e prefeitura prepara ações para conter preços na Semana Santa.

Publicado em 13 de março de 2026 às 09:34

Pescado fica mais caro em Belém e Prefeitura promete reforço na fiscalização dos preços
Pescado fica mais caro em Belém e Prefeitura promete reforço na fiscalização dos preços Crédito: Arquivo/Agência Pará

A maioria dos pescados comercializados nos mercados municipais de Belém apresentou aumento de preço em fevereiro de 2026. É o que aponta uma pesquisa divulgada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese/PA) em conjunto com a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico (Sedcon).

De acordo com o levantamento, 20 das 23 espécies de peixe pesquisadas registraram elevação de preços entre janeiro e fevereiro deste ano. O destaque foi o tucunaré, espécie de maior valor agregado, que liderou as altas com reajuste de 24,40%.

Na sequência aparecem o tamuatá (+10,31%), o cação (+7,05%), a arraia (+6,76%) e a pescada gó (+6,14%). Também tiveram aumento a serra (+5,88%), a pescada amarela (+5,68%), a traíra (+3,94%), o filhote (+3,90%), o mapará (+3,47%), o bagre (+3,37%), o curimatã (+2,41%), a pratiqueira (+2,34%), a sarda (+2,29%), o tambaqui (+1,74%), a piramutaba (+1,47%), a corvina (+0,60%), a gurijuba (+0,25%) e a dourada (+0,20%).

Por outro lado, apenas três espécies apresentaram redução no preço no período analisado: tainha (-3,70%), pescada branca (-2,03%) e aracu (-1,95%).

Motivos da alta

Segundo o vendedor de pescado no Mercado de Ferro do Ver-o-Peso e presidente do Sindicato dos Peixeiros de Belém, Fernando Souza, o aumento de preços no início do ano está relacionado principalmente ao período chuvoso.

De acordo com ele, as condições climáticas fazem com que os peixes se afastem da costa, o que reduz a oferta e dificulta a pesca. “Se as embarcações levam de 15 a 20 dias para trazer o pescado, agora levam o dobro desse tempo, gastando ainda mais óleo, gelo e outros custos que acabam refletindo no preço final”, explicou.

Cenário no ano e nos últimos 12 meses

Apesar da alta registrada no mês de fevereiro, a análise do acumulado do ano (janeiro e fevereiro) mostra um movimento diferente. Das 23 espécies pesquisadas, 19 apresentaram queda de preços no período.

Entre as maiores reduções estão o aracu (-32,43%), o filhote (-18,48%), a pescada gó (-15,88%) e a serra (-14,60%). Já no mesmo período, algumas espécies acumularam alta, como o tucunaré (+18,45%), a piramutaba (+14,01%), a tainha (+2,66%) e o cação (+1,18%).

Na comparação dos últimos 12 meses, entretanto, o cenário é de aumento generalizado. Das 23 espécies analisadas, 22 tiveram alta de preços entre fevereiro de 2025 e fevereiro de 2026, muitas acima da inflação média do período, estimada em cerca de 4,5%.

O maior reajuste foi registrado no tamuatá (+43,72%), seguido da pescada gó (+33,70%), do filhote (+32,12%) e da sarda (+31,77%).

Medidas para a Semana Santa

Com a proximidade da Semana Santa, período em que o consumo de peixe aumenta significativamente, a Prefeitura de Belém prepara ações para garantir o abastecimento e evitar aumentos excessivos de preços.

Uma das medidas será a criação de um decreto que vai controlar a saída de pescado da capital para outros municípios do Pará. A fiscalização deve começar a partir do dia 23 de março.

Para isso, será emitida pela Sedcon uma Guia de Transporte do Pescado (GTP) para comerciantes que comprarem peixe por atacado na Pedra do Peixe, no complexo do Ver-o-Peso, e pretendam levar o produto para outras cidades.

Além disso, uma força-tarefa envolvendo diversos órgãos municipais deve ocorrer entre os dias 23 de março e 3 de abril em todo o complexo do Ver-o-Peso, com o objetivo de organizar a comercialização e garantir o abastecimento durante o período de maior demanda.