Publicado em 18 de setembro de 2026 às 17:04
A Polícia Federal (PF), a Controladoria-Geral da União (CGU) e o Ministério Público Federal (MPF) investigam um esquema de desvio de verbas públicas, cobrança de propina e direcionamento de contratos na Companhia Docas do Pará (CDP). De acordo com documentos da apuração, a organização criminosa instalou-se na cúpula da empresa pública federal sob a liderança de Jardel Rodrigues da Silva, ex-presidente da estatal que assumiu o cargo em julho de 2023.>
As investigações apontam que o ex-presidente centralizou etapas dos pagamentos para exigir dinheiro vivo como condição para a liberação de faturas pendentes de fornecedores que já haviam prestado serviços. Auditorias da CGU revelaram que, após a criação dessa nova etapa na Presidência, o tempo médio para a quitação de faturas subiu de prazos curtos para cerca de 57 dias.>
Para reverter a retenção proposital, empresários eram direcionados a uma sala reservada no mezanino da Diretoria de Gestão Portuária, onde uma assessora exigia propina entre 20% e 30% do valor das faturas em dinheiro vivo.>
A Operação Sonar apura ainda a criação artificial de situações de emergência para direcionar contratações a empresas previamente ajustadas, além do uso de sociedades sem estrutura e pessoas interpostas para dissimular valores. Em ações decorrentes da investigação realizadas em Belém, a Justiça determinou o bloqueio de R$ 17 milhões em bens, o afastamento de 12 servidores e a quebra dos sigilos bancário e fiscal de 35 investigados, após agentes apreenderem R$ 1,2 milhão em espécie guardados em malas.>
Os alvos respondem por organização criminosa, peculato, concussão, corrupção passiva, fraudes em licitações, falsidade ideológica e lavagem de capitais.>