Publicado em 26 de janeiro de 2026 às 21:34
O Procurador Geral do Ministério Público do Pará, Alexandre Tourinho, deve acionar o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para apurar a conduta da desembargadora do Tribunal de Justiça do Pará , Gleide Moura, na decisão de um caso que envolve a liberação de R$ 49 milhões de reais para a empresa Logica Consultoria & Empreendimentos Ltda, após a mesma ter se declarado suspeita para atuar no processo.>
Segundo informações do portal O Antagônico, a conduta da desembargadora se tornou suspeita após, no ano passado, uma decisão da magistrada durante um plantão judicial, no dia 27 de março, conceder a expedição de alvará para liberação de R$ 18 milhões de reais em favor da empresa Logica Consultoria & Empreendimentos Ltda. O valor, segundo a decisão, deveria ser depositado na conta da empresa, no Banco da Amazônia.>
A empresa teria ingressado com Mandado de Segurança com pedido de liminar contra ato do juiz, o agora desembargador Álvaro Norat, da 12ª Vara Cível e Empresarial de Belém, argumentando que a decisão apontada como ato coator seria a omissão advinda da falta de decisão de pedido de homologação de cessão de crédito.>
A empresa sustentou que no dia 21 de novembro de 2024, celebrou Termo de Cessão de Crédito com os sócios da empresa Sevinorte - Serviços Gerais Ltda, Espólio de Benedito Neves Loureiro, através de seus herdeiros Genir Miranda Loureiro, Alexandre Miranda Loureiro, Nazareth Miranda Loureiro e João das Neves Loureiro, quando adquiriu o montante de R$ 18.000.000,00 (dezoito milhões de reais). Ao conceder a liminar, Gleide Moura frisou que que o crédito cedido é dos sócios, inerente a sobra de valores da falida, e que a falida, atualmente, possui crédito no valor de R$ 49.211.487,14.>
Com a repercussão do caso na época, a desembargadora voltou atrás e acabou se julgando suspeita no processo. Mas Gleide Moura, novamente em um plantão judicial, em 31 de outubro de 2025, concedeu a mesma liminar determinando o prazo de 48 horas, para a liberação dos valores, que corrigidos irão para mais de R$ 49 milhões, em favor da empresa Logica Consultoria e Empreendimentos Ltda.>
A petição de liberação dos valores foi assinada pela advogada Adrielly Raianne Pinheiro da Silva Diniz, que não faz referência ao fato da desembargadora já ter se declarado suspeita no processo.>
Ainda segundo a reportagem do O Antagônico, o procurador Alexandre Tourinho vai comunicar oficialmente o ocorrido ao Procurador Geral da República, Paulo Gonet.>
Tourinho também teria adiantado que a procuradoria irá agravar a decisão da magistrada junto ao TJE do Pará, uma vez que o MP sequer foi chamado no processo.>
Gleide Moura está às vésperas de sua aposentadoria e como a desembargadora tem foro privilegiado, é necessário autorização do Superior Tribunal de Justiça para que a mesma seja investigada.>