Publicado em 22 de setembro de 2026 às 20:43
A educação e a cultura paraense se despedem de Rose Monteiro, professora e artista cuja trajetória atravessou os palcos, as salas de aula, a universidade, a produção cultural e a gestão pública. Rose faleceu nesta segunda-feira, 21, e será sepultada nesta quarta, 23, no Cemitério Santa Izabel, em Belém.>
Rose Monteiro era natural de Belém, mas morava em Tucuruí há 27 anos. Ao longo de sua caminhada, Rose fez da dança não apenas uma expressão artística, mas também um território de formação, pesquisa, inclusão e construção de oportunidades.>
Mestra em Ciência da Motricidade Humana, especialista em Pedagogia do Movimento Humano e licenciada e bacharel em Educação Física pela Universidade do Estado do Pará (UEPA), Rose também desenvolveu sua trajetória acadêmica como professora assistente dos cursos de Educação Física e Enfermagem da instituição e pesquisadora da área do movimento. Paralelamente, construiu uma sólida atuação artística como bailarina e coreógrafa profissional, além de integrar o Conselho Internacional de Dança – CID/UNESCO.>
Sua contribuição para a cultura de Tucuruí e do Pará também se materializou na criação de iniciativas que ampliaram os espaços de circulação e formação em dança. Rose foi idealizadora e coordenadora do Tucuruí em Dança, diretora artística do Studio de Dança Rose Monteiro, idealizadora e diretora artística da MultiCorpo Cia de Dança, além de idealizadora da Tucuruí Cia Municipal de Dança e da Cia Parafolclórica Municipal de Tucuruí. Sua experiência alcançou ainda a gestão pública, tendo ocupado por duas vezes o cargo de Diretora Executiva de Cultura do município de Tucuruí.>
Sua história nos palcos remonta, no registro apresentado em seu portfólio, a pelo menos 1996, quando participou do espetáculo "A Cruz e a Moça", da Cia de Arte Farrabamba. Nos anos seguintes, esteve em produções como "Ligações Perigosas", "Cânticos", "Cantata:, "Tribos" e "Minha Terra", construindo uma trajetória que depois se expandiria de intérprete para coreógrafa, diretora artística e produtora cultural.>
Entre os projetos que ajudam a dimensionar seu impacto está o "Tucuruí em Dança", festival realizado entre 2007 e 2016, alcançando dez edições. A continuidade da iniciativa evidencia uma das marcas de sua atuação: a capacidade de transformar a produção artística em espaço permanente de encontro, circulação e desenvolvimento da dança.>
Rose também esteve à frente de espetáculos e criações como "Amores ao Tom da Vida", "Qualquer Tempo no Tempo", "Oqueéeoquenãoé", "Quer Dançar Comigo?", "O Encanto dos Pincéis", "As Quatro Estações", "Sábias" e "Plural", reunindo ao longo dos anos funções de coreógrafa, diretora artística e produtora cultural.>
Outro eixo fundamental de sua trajetória foi a formação. Seu trabalho aproximou dança, educação e inclusão por meio de oficinas e ações pedagógicas. Entre elas estão atividades voltadas às ferramentas da dança no contexto escolar, à dança contemporânea como metodologia para o ensino das artes e à dança para pessoas com deficiência. Uma dessas ações ocorreu no Dança Carajás Festival, em Parauapebas, reforçando a inserção de sua atuação para além de Tucuruí.>
Sua contribuição também chegou à produção científica. Rose publicou trabalhos relacionados à presença da pessoa com deficiência na cena contemporânea e às possibilidades de inserção do balé clássico no espaço da escola pública, estabelecendo pontes entre a experiência artística, a pesquisa acadêmica e a democratização do acesso à dança.>
Essa multiplicidade ajuda a compreender a dimensão de seu legado. Rose Monteiro não ocupou apenas um lugar na dança paraense: ajudou a criar lugares para que outras pessoas também pudessem dançar, ensinar, pesquisar, produzir e permanecer na cultura.Sua trajetória reuniu criação artística e formação, palco e universidade, produção independente e gestão cultural.>
Seu legado permanece nas obras que criou, nas instituições e projetos que ajudou a construir, nos artistas que formou e nas pessoas que encontraram na dança, por meio de seu trabalho, uma possibilidade de expressão, pertencimento e transformação.>
Rose Monteiro deixa a cena, mas permanece na história da dança paraense.>