‘Sem água e sem comida’: mulher cobra Prefeitura sobre assistência a animais em abrigo no Tapanã

Animais foram deixados no antigo abrigo, no Tapanã, e voluntários denunciam falta de alimento, água e atendimento veterinário

Publicado em 19 de agosto de 2026 às 10:58

‘Sem água e sem comida’: mulher cobra Prefeitura sobre assistência a animais em abrigo no Tapanã
‘Sem água e sem comida’: mulher cobra Prefeitura sobre assistência a animais em abrigo no Tapanã Crédito: Divulgação 

Cerca de 30 cães que viviam com famílias indígenas da etnia Warao ficaram para trás após a transferência dos moradores para um novo abrigo, no distrito de Outeiro, em Belém. Os animais permanecem nas proximidades e alguns dentro do antigo espaço, no bairro do Tapanã, e, segundo a voluntária Andréa Lílian, enfrentam falta de alimento, água e atendimento veterinário.

Os cães conviviam com as famílias no local há anos. Com a mudança dos indígenas, os animais não foram levados para a nova estrutura. Segundo informações, o abrigo de Outeiro não possui espaço adequado para receber animais domésticos.

Desde então, os cães passaram a circular pelas ruas próximas ao antigo abrigo, enquanto outros permanecem presos dentro do local. Voluntários relatam que alguns procuram comida em sacos de lixo, enquanto outros permanecem nas proximidades dos portões do imóvel.

Andréa, voluntária que acompanha a situação afirma que ajuda a alimentar os animais e que, diante da dificuldade de acesso ao antigo abrigo, a entrada de pessoas que prestam assistência aos cães estaria sendo impedida. Segundo ela, o interior do espaço apresenta grande quantidade de fezes e os animais teriam dificuldade para ter acesso à água.

A Comissão de Defesa dos Direitos dos Animais (CDDA) da Ordem dos Advogados do Brasil - Seção Pará (OAB-PA) informou que acompanha a situação no abrigo desde março deste ano.

De acordo com a comissão, foram realizadas vistorias mensais entre março e junho. Os representantes relatam que as condições encontradas no local pioraram ao longo dos meses.

A voluntária também contesta informações de que os cães estariam recebendo atendimento veterinário e vacinação de forma regular. Segundo o relato, parte dos cuidados estaria sendo realizada por protetores independentes, com auxílio de um médico veterinário. Ela afirma ainda ter utilizado recursos próprios para custear a vacinação de alguns animais.

Em julho, alguns dos cães passaram por coleta de sangue para realização de hemograma. Após o procedimento, os animais receberam coleiras verdes de identificação.

A voluntária afirma que não recebeu informações sobre a finalidade dos exames ou sobre o resultado das análises. O procedimento teria sido realizado por profissionais ligados ao atendimento dos animais.

Diante do agravamento da situação, Andréa, que vem acompanhando o caso de perto demonstra preocupação com o possível encaminhamento dos cães ao Centro de Zoonoses. A voluntária teme que animais em estado mais grave possam ser submetidos à eutanásia.

Segundo informações, a previsão era de que parte dos cães, principalmente os mais novos, fosse retirada do local nesta quarta-feira (19), mas segundo informações, até o momento eles não foram retirados do local.

Solicitamos um posicionamento da prefeitura de Belém sobre o andamento na assistência a esses animais, aguardamos retorno.