Sermão do Encontro emociona fiéis na Sexta-feira Santa em Belém

Celebração na Igreja das Mercês reuniu religiosos e destacou mensagens de redenção, reconciliação e fé durante a Semana Santa

Publicado em 3 de abril de 2026 às 13:45

Sermão do Encontro emociona fiéis na Sexta-feira Santa em Belém
Sermão do Encontro emociona fiéis na Sexta-feira Santa em Belém Crédito: Roma News

Na manhã desta sexta-feira Santa (03), um dos momentos mais marcantes da programação religiosa em Belém reuniu centenas de fiéis no bairro da Campina. O tradicional Sermão do Encontro foi realizado às 10h30, em frente à Igreja de Nossa Senhora das Mercês, emocionando o público com a representação simbólica do encontro entre Jesus e Maria no caminho do Calvário.

Durante a celebração, as imagens de Nosso Senhor dos Passos e de Nossa Senhora das Dores se encontraram, reproduzindo uma das cenas mais comoventes da tradição cristã. O momento convida à reflexão sobre o sofrimento, a fé e o amor materno diante da dor.

A pregação foi conduzida pelo arcebispo metropolitano de Belém, Dom Júlio Endi Akamine, e pelo padre Gabriel Aparecido Paes, vigário episcopal da Região Santa Cruz. Em sua fala, Dom Júlio destacou que o encontro entre Jesus e Maria vai além de um gesto afetivo, representando a participação no mistério da redenção.

Segundo ele, o momento simboliza a união entre o sofrimento humano e a missão redentora de Cristo, convidando os fiéis a também refletirem sobre suas próprias dores e a se unirem espiritualmente a esse processo. O arcebispo ainda ressaltou a importância da reconciliação como caminho para a paz, afirmando que “sem reconciliação, não há paz no mundo”.

Já o padre Gabriel Aparecido Paes conduziu uma reflexão voltada à vivência pessoal da fé, propondo aos fiéis que enxerguem cada Semana Santa como única. Ele destacou o “encontro que cura”, ressaltando o silêncio e o olhar entre mãe e filho como elementos profundos de meditação e espiritualidade.

O Sermão do Encontro relembra o momento em que Jesus, após ser flagelado, coroado de espinhos e condenado à morte, encontra sua mãe a caminho do Calvário. A cena é considerada um dos pontos mais intensos da Semana Santa, marcada pela contemplação do sofrimento redentor de Cristo e da compaixão de Maria.

Além da comunidade católica, o evento também contou com a presença de representantes de religiões de matriz africana, que participaram da celebração manifestando sua fé e respeito às imagens sagradas. Para Karen Fernanda, 1ª guia do ilê axé Ona omi, o momento tem um significado especial:

“Pra nós, matrizes africanas, é uma questão de rendimento, de pedir misericórdia pra nós, pro nosso povo. Os antigos, de hoje em dia, pedir saúde, prosperidade, proteção, porque é um novo ciclo que se começa. Na religião de matriz africana, a sexta-feira santa é pedido o perdão, a misericórdia, um leme, que é justamente pra gente dar início a um novo ano, um novo ano litúrgico.

Que o nosso ano novo se começa mesmo pra nós no domingo de Páscoa, que é o renascimento. É o novo ano que se começa. Aí é nesse momento que a gente aproveita pra acender velas, pra pedir pelas almas, pra pedir saúde, pra pedir bons amigos. Tudo que for de positividade pra nossa casa, pra nossa vida, pro nosso axé, a gente pede hoje.

A gente vem mais pra agradecer do que pra pedir, na verdade. A gente pede paz, união. Porque a gente é muito julgado, sem saber, né? Muita gente olha, julga, pensa que estamos fazendo coisas erradas. Mas não, a gente pede muito a paz, a prosperidade, o equilíbrio do corpo, da mente e da alma. É o que a gente faz.”

A celebração reafirma a força da tradição religiosa em Belém e o papel da Semana Santa como um período de profunda reflexão, fé, diversidade e busca por reconciliação.