Sócios de academia de luxo que será construída em Belém são investigados pelo Ministério Público

Nexa, prevista para o Portal da Amazônia, tem entre os sócios empresário citado em investigação do Ministério Público sobre contratos de estacionamentos.

Publicado em 8 de agosto de 2026 às 22:09

Academia deverá ser inaugurada no Portal da Amazônia - 
Academia deverá ser inaugurada no Portal da Amazônia -  Crédito: Redes sociais

O avanço das academias de alto padrão em Belém tem chamado atenção não apenas pelo crescimento do segmento, mas também pelo elevado volume de recursos necessário para a implantação de empreendimentos desse tipo. Imóveis de grandes dimensões, equipamentos importados e estruturas sofisticadas exigem investimentos expressivos e colocam em debate a sustentabilidade econômica de alguns desses negócios.

Um dos empreendimentos que despertam atenção é a Academia Nexa, prevista para ser instalada no Portal da Amazônia. Antes mesmo da inauguração, o projeto já vem sendo apresentado como uma das propostas mais sofisticadas do segmento na capital paraense.

Entre os integrantes da sociedade empresarial está o empresário Henrique Mendes da Silva Nassar, conhecido em Belém como “Rei dos Estacionamentos”. A participação dele no empreendimento ganha relevância em razão de uma investigação conduzida pelo Ministério Público do Pará envolvendo empresas ligadas ao empresário.

Segundo o Ministério Público, um inquérito civil apura suspeitas relacionadas a possíveis irregularidades em processos licitatórios para exploração de estacionamentos em equipamentos públicos estaduais. Entre os locais mencionados estão o Porto Futuro I e II e o Estádio Mangueirão.

O grupo econômico associado a Henrique e ao empresário André Luiz Rodrigues de Paiva é citado no procedimento. A investigação busca esclarecer se teria ocorrido um esquema destinado a restringir a competitividade de licitações e favorecer a obtenção de contratos para exploração dos estacionamentos.

É importante destacar que a existência de investigação ou de um inquérito civil não significa, por si só, que os investigados tenham cometido as irregularidades apuradas. Eventuais responsabilidades dependem da conclusão do procedimento e das decisões da Justiça.

A discussão sobre a composição societária da Nexa também ocorre em meio ao debate sobre os mecanismos de controle financeiro de empresas do setor de academias.

O segmento trabalha, em geral, com receitas recorrentes provenientes de mensalidades, planos de diferentes períodos, promoções e outros serviços\. Em empreendimentos de grande porte, a quantidade de clientes e a movimentação financeira podem sofrer alterações significativas ao longo do tempo.

Por isso, especialistas em prevenção à lavagem de dinheiro apontam que determinados negócios baseados em grande volume de pagamentos e dificuldade de verificação externa da quantidade efetiva de consumidores podem exigir mecanismos rigorosos de controle e auditoria.

Uma situação hipotética ajuda a ilustrar a preocupação, sem estabelecer qualquer relação com a Nexa ou com seus sócios: uma empresa que efetivamente arrecadasse R$ 400 mil por mês poderia, em tese, registrar uma receita superior à real caso fossem lançados pagamentos atribuídos a clientes inexistentes\. Se isso ocorresse deliberadamente, os valores poderiam adquirir aparência de receita regular dentro da contabilidade da empresa.

Esse exemplo, porém, não constitui acusação contra a Academia Nexa, seus sócios ou qualquer empresa relacionada ao empreendimento. Não há, nas informações apresentadas, indicação de que a academia tenha praticado esse tipo de conduta.

A participação de Henrique Mendes da Silva Nassar e André Luiz Rodrigues de Paiva na composição societária do novo empreendimento, portanto, deve ser analisada à luz do estágio atual das investigações e das informações disponíveis sobre o patrimônio e as atividades empresariais dos envolvidos.

Também não se pode afirmar, neste momento, que os recursos utilizados na implantação da Academia Nexa tenham qualquer relação com as acusações investigadas pelo Ministério Público do Pará. Qualquer conclusão nesse sentido dependeria de elementos concretos e de eventual apuração pelas autoridades competentes.

O ponto central é que o inquérito civil mencionado ainda integra um procedimento de investigação, e a eventual responsabilidade dos envolvidos precisa ser definida dentro do devido processo legal.

A elevada estrutura projetada para a Nexa e a presença de empresários envolvidos em outros negócios que estão sob apuração tornam relevante o acompanhamento da origem dos recursos, da composição societária e da movimentação financeira do empreendimento. Essas verificações, entretanto, devem ser feitas com base em documentos e informações oficiais, sem transformar suspeitas ou hipóteses em conclusões antecipadas.