Publicado em 30 de outubro de 2026 às 18:29
O fenômeno climático Super El Niño deve provocar 857.400 mortes adicionais em todo o planeta até março, segundo projeções divulgadas pelo painel Climate Impact Lab, da Universidade de Chicago. O conceito de "mortes adicionais" refere-se aos óbitos que excedem a média histórica esperada para o período entre 1996 e 2025. No Brasil, a estimativa é de 19.500 mortes adicionais nos próximos seis meses, alcançando um acumulado de 26.700 óbitos no período de dez meses de incidência do fenômeno.>
De acordo com a pesquisa, entre junho e setembro de 2026, o aumento anormal das temperaturas causado pelo El Niño já resultou na morte de 484.500 pessoas globalmente. Para os seis meses seguintes, são esperados mais 372.900 óbitos, com os maiores impactos concentrados na Nigéria (56.100 vítimas adicionais no período) e na Índia (55 mil vítimas no período).>
O Brasil figura em quarto lugar no ranking mundial de países com maior previsão de mortes adicionais decorrentes do El Niño. O estado do Pará lidera a estimativa nacional, com a projeção de 3.800 mortes até março, número superior ao previsto para países inteiros como a Venezuela (3.600) e a Colômbia (3.300).>
Na sequência das projeções estaduais brasileiras aparecem o Maranhão (2.800 mortes), o Amazonas (2.200) e a Bahia (2.100). Os pesquisadores destacam que os países que mais contribuem para as emissões de gases do efeito estufa e o aquecimento global, como China e Estados Unidos, aparecem no final da lista de mortalidade por habitante.>
As mortes estimadas pelo estudo estão associadas a complicações por desidratação, ondas de calor, insegurança alimentar e ao aumento da transmissão de doenças tropicais, como a dengue. O aquecimento das temperaturas e a variação da umidade criam condições propícias para a proliferação do mosquito Aedes aegypti.>
Segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM), o atual El Niño é um dos mais intensos da história e tem seu impacto amplificado pelas emissões globais de CO2 e pela crise climática. O fenômeno atinge seu ponto mais severo na América do Sul e Central, provocando secas graves no Norte e Nordeste brasileiro e fortes tempestades na região Sul.>