Uma semana após decisão da Justiça, ônibus “Geladão” ainda não voltaram a circular em Belém

Mesmo com determinação de devolução, usuários relatam ausência dos 14 veículos; entenda o impasse entre empresas e banco financiador

Imagem de perfil de Jorge Mateus

Jorge Mateus

Reporter / [email protected]

Publicado em 8 de abril de 2026 às 17:46

Uma semana após decisão da Justiça, ônibus “Geladão” ainda não voltaram a circular em Belém
Uma semana após decisão da Justiça, ônibus “Geladão” ainda não voltaram a circular em Belém Crédito: Mateus Rodrigues/Ônibus Brasil

Uma semana após a Justiça determinar a devolução de 14 ônibus “Geladão” às empresas Monte Cristo e Transporte Canadá, usuários do transporte público de Belém relatam que os veículos ainda não voltaram a circular.

Os coletivos foram adquiridos pelas empresas em 2024, por meio de financiamento bancário. A operação previa que o banco arcasse inicialmente com os custos, enquanto as empresas ficariam responsáveis pelo pagamento ao longo do tempo. Apesar disso, os ônibus só começaram a rodar no dia 12 de abril de 2025.

No entanto, conforme já apontado anteriormente em matéria publicada pelo Roma News, as empresas não estariam cumprindo com os pagamentos do financiamento. Diante disso, o banco financiador realizou a apreensão dos veículos, retirando os ônibus de circulação.

Após a repercussão, a Justiça determinou, na última quinta-feira (2), a devolução dos coletivos às empresas, conforme informou a Prefeitura de Belém. Mesmo assim, até agora não há confirmação oficial de que os ônibus já tenham sido entregues ou voltado a operar nas linhas.

Enquanto isso, quem depende do serviço segue enfrentando dificuldades. A usuária e moradora do bairro do Castanheira, Daniele Cardoso, relata longas esperas e superlotação.“Ontem fiquei 1 hora e meia na parada da Unama na Pedro Miranda. Quando colocaram os ônibus geladões, era um atrás do outro. Agora é uma espera eterna”, desabafa.

Ela também descreve a situação dos ônibus em circulação. “Passam lotados, gente pendurada até na porta. E o motorista ainda para… não sei onde ele quer colocar tanta gente dentro do ônibus”, afirma.

Daniele conta ainda que chegou a questionar um motorista sobre a situação. “Falei pro motorista: ‘quer levar a gente na sua cabeça?’ Desculpa a expressão”, disse.

Para a usuária, o cenário é preocupante. “Sinceramente, pra quem depende desses ônibus, é uma tristeza. Não sei como vai ser a nossa ida se acabar a linha da Monte Cristo”, lamenta.

Outro ponto que segue sem esclarecimento é a situação da dívida com o banco. Ainda não foi detalhado o que ficou decidido pela Justiça nem se existe a possibilidade de uma nova apreensão dos veículos.

A reportagem do Roma News solicitou posicionamento do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belém (Setransbel), da Secretaria Municipal de Segurança, Ordem Pública e Mobilidade de Belém (Segbel) e do Tribunal de Justiça do Pará (TJPA), mas, até o momento, não houve retorno. O espaço segue aberto e no aguardo da manifestação dos órgãos competentes.