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Publicado em 8 de abril de 2026 às 17:46
Uma semana após a Justiça determinar a devolução de 14 ônibus “Geladão” às empresas Monte Cristo e Transporte Canadá, usuários do transporte público de Belém relatam que os veículos ainda não voltaram a circular.>
Os coletivos foram adquiridos pelas empresas em 2024, por meio de financiamento bancário. A operação previa que o banco arcasse inicialmente com os custos, enquanto as empresas ficariam responsáveis pelo pagamento ao longo do tempo. Apesar disso, os ônibus só começaram a rodar no dia 12 de abril de 2025.>
No entanto, conforme já apontado anteriormente em matéria publicada pelo Roma News, as empresas não estariam cumprindo com os pagamentos do financiamento. Diante disso, o banco financiador realizou a apreensão dos veículos, retirando os ônibus de circulação.>
Após a repercussão, a Justiça determinou, na última quinta-feira (2), a devolução dos coletivos às empresas, conforme informou a Prefeitura de Belém. Mesmo assim, até agora não há confirmação oficial de que os ônibus já tenham sido entregues ou voltado a operar nas linhas.>
Enquanto isso, quem depende do serviço segue enfrentando dificuldades. A usuária e moradora do bairro do Castanheira, Daniele Cardoso, relata longas esperas e superlotação.“Ontem fiquei 1 hora e meia na parada da Unama na Pedro Miranda. Quando colocaram os ônibus geladões, era um atrás do outro. Agora é uma espera eterna”, desabafa.>
Ela também descreve a situação dos ônibus em circulação. “Passam lotados, gente pendurada até na porta. E o motorista ainda para… não sei onde ele quer colocar tanta gente dentro do ônibus”, afirma.>
Daniele conta ainda que chegou a questionar um motorista sobre a situação. “Falei pro motorista: ‘quer levar a gente na sua cabeça?’ Desculpa a expressão”, disse.>
Para a usuária, o cenário é preocupante. “Sinceramente, pra quem depende desses ônibus, é uma tristeza. Não sei como vai ser a nossa ida se acabar a linha da Monte Cristo”, lamenta.>
Outro ponto que segue sem esclarecimento é a situação da dívida com o banco. Ainda não foi detalhado o que ficou decidido pela Justiça nem se existe a possibilidade de uma nova apreensão dos veículos.>
A reportagem do Roma News solicitou posicionamento do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belém (Setransbel), da Secretaria Municipal de Segurança, Ordem Pública e Mobilidade de Belém (Segbel) e do Tribunal de Justiça do Pará (TJPA), mas, até o momento, não houve retorno. O espaço segue aberto e no aguardo da manifestação dos órgãos competentes.>