1 treinador vs 30 'gordos': debate não é tão simples quanto parece, explica nutricionista

O debate viralizou nas redes ao reacende discussão sobre saúde, alimentação e obesidade; nutricionista explica pontos polêmicos levantados no embate

Publicado em 28 de agosto de 2025 às 15:52

Capa do vídeo onde Guto Galamba debate com pessoas acima do peso.
Capa do vídeo onde Guto Galamba debate com pessoas acima do peso. Crédito: Reprodução/Youtube Canal Foco

Um vídeo tem movimentado as redes sociais nesta semana ao mostrar o treinador Guto Galamba discutindo com 30 pessoas acima do peso sobre rotina alimentar, disciplina e prática de exercícios. O episódio, que viralizou e já ultrapassa 11 milhões de visualizações no YouTube, gerou debates acalorados e dividiu opiniões entre internautas sobre os limites entre uma vida saudável e o prazer de comer.

Para aprofundar a discussão, o Roma News conversou com a nutricionista Samantha Soares, que analisou as falas que repercutiram no vídeo.

Segundo a profissional, o primeiro passo em casos de escolhas alimentares consideradas prejudiciais não deve ser o julgamento. “Apesar da maioria das pessoas acharem que o nutricionista iria julgar, um bom profissional vai te acolher, ele não vai te julgar nesse primeiro momento. Ele precisa entender o contexto, a rotina e o porquê que esse paciente faz essas escolhas. E aí, a partir disso, a gente pode pensar em mudanças possíveis que sejam sustentáveis. Eu gosto muito de pensar que o nutricionista tem que ser um facilitador e não um fiscal de comida, sabe?”, afirmou.

Samantha Soares, nutricionista.
Samantha Soares, nutricionista. Crédito: Arquivo pessoal

Outro ponto levantado foi a ideia de que ser saudável exige abrir mão do prazer de comer. Para Samantha, não é bem assim: “Na verdade, se comer só o que você gosta significa se encher de ultraprocessados, isso não traz equilíbrio. Mas tem, sim, como você ter prazer na sua alimentação e ser saudável. A disciplina é necessária, mas a gente não precisa de radicalismo na nossa vida”.

Ela exemplifica com pratos regionais típicos do Pará: “Tu é viciado em açaí com a farinha da baguda? É só a gente escolher o momento certo para você comer isso, não excessivamente todos os dias. Gosta de um doce de cupuaçu? Come em ocasiões especiais. Mas se na maior parte do tempo você priorizar peixes grelhados, salada e frutas que a gente tem aqui na nossa região, já consegue ter equilíbrio entre prazer e saúde”.

Entre os comentários mais polêmicos do vídeo, estava a ideia de que “ser gordo é escolha”. Para a especialista, essa afirmação não faz sentido. “Um grande mito, além de não fazer sentido nenhum. A obesidade é multifatorial, então a gente precisa levar em conta a genética, o ambiente, o comportamento, questões hormonais, até mesmo fatores socioeconômicos. Não dá pra gente reduzir algo tão complexo a uma simples escolha”, destacou.

Sobre quem busca emagrecimento sem cair em dietas restritivas, Samantha reforça que é essencial respeitar a realidade de cada pessoa. “Significa adaptar a alimentação segundo a realidade cultural, financeira e de rotina de cada um. Não vou prescrever salmão para um paciente, sendo que na nossa região a gente tem uma variedade de peixes maravilhosa, muito mais fresca e acessível. Também não vou mandar a pessoa cortar todos os doces se ela tem tradição de comer, por exemplo, sobremesa de cupuaçu da família dela. O que a gente vai ajustar é a frequência e a quantidade”, explicou.

Para ela, a sustentabilidade alimentar está em nutrir o corpo, mas sem abrir mão da cultura e do prazer. “É muito importante a gente focar também na nossa cultura local. A grande maioria dos alimentos que temos aqui são super saudáveis e dá pra adaptar no dia a dia”, concluiu.