Publicado em 1 de julho de 2026 às 08:05
Imagine renovar toda a mobília e os computadores de uma empresa sem antes checar se os funcionários realmente vão trabalhar presencialmente. Foi basicamente isso o que aconteceu no Ministério da Fazenda, que liberou R$ 7,53 milhões para comprar centenas de cadeiras e computadores destinados à Secretaria do Tesouro Nacional. O grande detalhe por trás dessa dinheirama é que o órgão funciona hoje com a maior parte de seu time trabalhando em regime de home office ou modelo híbrido, esvaziando os corredores do prédio público.>
O investimento milionário foi fechado no final do ano passado por meio de licitações, mas a conta não parece bater com a realidade do dia a dia na Esplanada dos Ministérios. Uma série de visitas feitas ao Bloco P entre os meses de março e junho deste ano revelou um cenário de desolação: salas completamente vazias ou ocupadas por apenas quatro ou cinco pessoas. O esvaziamento ficou ainda mais evidente no final de junho, quando os poucos servidores escalados trabalhavam em meio a salas desertas e decorações de festas juninas.>
A explicação para o silêncio nos corredores está nos dados oficiais do governo, que mostram que o trabalho remoto na Fazenda cresceu 32% após a pandemia. Hoje, cerca de 56% de todo o funcionalismo da pasta atua longe do escritório. No caso específico do Tesouro Nacional, quem está no modelo híbrido tem uma rotina extremamente flexível, precisando cumprir apenas 32 horas presenciais por mês. Isso significa que o funcionário só precisa aparecer no prédio durante quatro dias mensais e pode passar o restante do tempo trabalhando de qualquer cidade do país.>
Mesmo com esse fluxo reduzido de pessoas, a maior parte do orçamento do contrato, cerca de R$ 4,69 milhões, foi usada para adquirir 700 cadeiras de escritório reguláveis por R$ 1.340 cada e 550 computadores de mesa da marca Dell ao custo unitário de R$ 6.830. Esses são equipamentos que só podem ser aproveitados dentro do próprio ministério, mas boa parte deles continua guardada ou sem instalação. Para completar o pacote, o governo ainda encomendou 300 notebooks da HP, que custaram R$ 9.480 cada um e somaram mais R$ 2,84 milhões, embora as máquinas portáteis sequer tivessem sido entregues até o início do mês passado.>
Quando questionado oficialmente por meio da Lei de Acesso à Informação, o Ministério da Fazenda admitiu de forma transparente que não realizou nenhum tipo de estudo técnico ou diagnóstico detalhado para descobrir quantas pessoas realmente usam as instalações físicas antes de fazer as compras. A pasta informou que se baseou apenas em estimativas superficiais do sistema de recursos humanos.>
Em nota de esclarecimento, o Tesouro Nacional admitiu que não acompanha a taxa real de ocupação do edifício, mas defendeu o gasto milionário alegando que a compra era essencial para substituir móveis antigos, garantir a segurança digital dos sistemas e manter a eficiência das operações.>