Acordo entre Mercosul e União Europeia começa a valer nesta sexta

Após 25 anos de negociações, o maior tratado comercial da história da UE entra em fase experimental no Brasil.

Publicado em 1 de maio de 2026 às 09:29

Acordo entre Mercosul e União Europeia começa a valer nesta sexta
Acordo entre Mercosul e União Europeia começa a valer nesta sexta Crédito: Reprodução

Uma nova era para as relações comerciais brasileiras começa oficialmente neste dia 1º de maio. Graças a um decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na última terça-feira (28), o aguardado acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia (UE) entra em vigor de forma provisória. Na prática, isso significa que, enquanto os detalhes políticos mais complexos ainda aguardam a aprovação individual de todos os países europeus, a parte prática, aquela que mexe com o bolso e com a exportação de produtos, já está valendo.

O impacto imediato é grandioso: a partir de hoje, a União Europeia elimina as taxas de importação para mais de 5 mil itens. Para se ter uma ideia do tamanho dessa oportunidade, a ApexBrasil estima que o país possa vender até US$ 1 bilhão a mais para os europeus apenas nos próximos 12 meses. O foco está em pouco mais de 500 produtos que possuem alto potencial de ganho imediato, aproveitando o acesso a um mercado consumidor de 450 milhões de pessoas.

A união desses dois blocos cria um gigante econômico. Juntos, Mercosul e União Europeia reúnem:

• População: Cerca de 720 milhões de pessoas.

• Riqueza: Um PIB combinado de US$ 22 trilhões.

• Alcance: A meta é que, no futuro, mais de 90% de tudo o que é trocado entre as duas regiões seja livre de impostos.

A pressa em colocar o acordo para rodar não é por acaso. Para países europeus como Alemanha e Espanha, o tratado funciona como uma proteção necessária em um cenário de incertezas. Com o governo de Donald Trump nos Estados Unidos impondo novas tarifas e a dependência comercial da China gerando preocupação, a Europa vê no Mercosul um parceiro estratégico para garantir o fornecimento de minerais essenciais e manter o fluxo de mercadorias.

Apesar do otimismo no Brasil, o texto ainda enfrenta barreiras na Europa. A França lidera o grupo de críticos, temendo que a entrada de carne bovina e açúcar sul-americanos, mais baratos, prejudique os produtores locais. Além disso, grupos ambientalistas pressionam por garantias mais rígidas de preservação das florestas tropicais.

Embora economistas alertem que o acordo sozinho não compensará todas as perdas comerciais causadas pelas tensões entre EUA e China, os defensores acreditam que os benefícios práticos que começam hoje serão o melhor argumento para a ratificação definitiva do tratado nos próximos dois anos. Por enquanto, o Brasil celebra a inserção definitiva em uma das maiores áreas econômicas do planeta.