Publicado em 25 de julho de 2026 às 14:12
O acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia promete abrir um novo horizonte para as exportações brasileiras e deve gerar impactos diretos na economia paraense. Com uma pauta exportadora diversificada, liderada por minérios, carne bovina, produtos florestais e alimentos, o Pará está entre os estados que podem ampliar a participação no mercado europeu, desde que empresas e produtores atendam aos novos padrões de qualidade, rastreabilidade e sustentabilidade exigidos pelo bloco.>
A aplicação provisória do acordo começou em 2026 e prevê a redução gradual de tarifas de importação para diversos produtos comercializados entre os dois blocos econômicos. O tratado é considerado um dos maiores acordos comerciais do mundo, envolvendo um mercado de mais de 700 milhões de consumidores.>
Especialistas avaliam que o cenário representa uma oportunidade para fortalecer a presença dos produtos paraenses no exterior. O estado já possui forte participação nas exportações brasileiras de minério de ferro, cobre, alumina, carne bovina, pescado, cacau e derivados do açaí, segmentos que podem ganhar competitividade com a redução das barreiras tarifárias.>
No entanto, o novo ambiente comercial também aumenta o nível de exigência para as empresas. A União Europeia mantém regras rigorosas relacionadas à preservação ambiental, combate ao desmatamento, rastreabilidade das cadeias produtivas, segurança alimentar e certificações sanitárias. Dessa forma, produtores que pretendem ampliar negócios com o mercado europeu precisarão investir em tecnologia, controle da produção e adequação às normas internacionais.>
Para representantes do setor produtivo, a adaptação será determinante para que o Pará aproveite integralmente os benefícios do acordo. Além da redução de custos para exportação, a expectativa é de atração de novos investimentos privados, ampliação da competitividade da indústria local e fortalecimento das cadeias produtivas voltadas ao comércio exterior.>
Outro efeito esperado é o aumento da demanda por produtos de maior valor agregado. Em vez de exportar apenas matéria-prima, especialistas defendem que o estado aproveite o novo cenário para incentivar o beneficiamento industrial, agregando valor à produção local e gerando mais empregos e renda.>
Apesar das perspectivas positivas, entidades econômicas destacam que será necessário ampliar investimentos em infraestrutura logística, modernização dos portos, melhoria das rodovias e qualificação da mão de obra. Esses fatores são considerados essenciais para que o Pará consiga competir em igualdade de condições com outros estados exportadores brasileiros.>
O acordo Mercosul-União Europeia ainda depende da conclusão de etapas de ratificação em parte dos países europeus para sua implementação definitiva. Mesmo assim, a entrada em vigor provisória já representa um marco nas relações comerciais entre os dois blocos e coloca estados exportadores, como o Pará, diante da oportunidade de expandir mercados, desde que consigam atender às crescentes exigências internacionais em qualidade, sustentabilidade e conformidade ambiental.>
Texto por Pedro Moraes, com a supervisão de Adrielle Brito.>