Publicado em 30 de junho de 2026 às 20:38
Com líderes empresariais, autoridades públicas, especialistas e investidores, a abertura do Amazon Energy 2026 destacou a transformação do potencial energético da região em competitividade industrial, geração de negócios e desenvolvimento sustentável. A cerimônia ocorreu nesta terça-feira (30), na sede da Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA), em Belém, e segue até esta quarta-feira (01/07).>
Ao longo da programação, o evento consolidou uma visão integrada entre exploração energética, fortalecimento da cadeia produtiva e transição energética justa, posicionando a Amazônia como território estratégico para o futuro energético brasileiro.>
Na abertura, o presidente da FIEPA, Alex Carvalho, defendeu que o debate sobre energia na Amazônia precisa superar polarizações e avançar para soluções concretas, capazes de equilibrar desenvolvimento econômico e preservação ambiental. Em discurso marcado pelo tom de mobilização, destacou que o desafio da região não está em escolher entre crescimento e conservação, mas em construir um modelo capaz de gerar renda, qualidade de vida e oportunidades sem abrir mão da proteção dos recursos naturais.>
“Ou nós viramos essa chave de uma vez por todas ou vamos viver reféns de nós mesmos, da nossa incapacidade de conversar, dialogar e buscar soluções verdadeiras. O meu discurso não é antiambientalista. O meu discurso é de equilíbrio. Porque, se por um lado existem maldades, maledicências e amarras que querem nos impor eternamente para que este estado não progrida, por outro também há quem queira vir para cá apenas para nos explorar. Então, não para nenhum desses dois extremos. Sim para todos nós que queremos desenvolver verdadeiramente o nosso estado”, declarou o presidente.>
A visão de integração também foi reforçada pela Petrobras. Representando a companhia, a gerente setorial Katia Ferreira destacou que Belém simboliza a força estratégica da Região Norte para o futuro energético brasileiro e classificou o Amazon Energy como um dos principais espaços de discussão sobre os rumos da Amazônia. Segundo ela, o momento exige ampliar o diálogo entre empresas, governos, investidores e academia para transformar potencial em desenvolvimento regional.>
“Esta região possui um potencial energético singular, seja pela abundância de recursos naturais, pela diversidade de soluções em energias renováveis ou pelo seu papel estratégico na construção de um futuro mais sustentável para todos. O objetivo é avançarmos na integração energética e no desenvolvimento sustentável regional, reunindo, ao longo destes dois dias, debates estratégicos sobre transição energética, segurança no abastecimento, inovação e atração de investimentos”, apontou a gestora da Petrobras.>
Do ponto de vista institucional, o alinhamento entre planejamento energético e desenvolvimento territorial também ganhou destaque. O titular da Secretária de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia do Pará (Sedeme), Mauro Bastos, ressaltou o potencial de crescimento do Pará e destacou iniciativas estruturantes conduzidas em parceria entre Governo do Estado e setor produtivo, como a elaboração do Atlas de Energia do Pará. Segundo ele, em um cenário em que cerca de 97% da matriz energética estadual é renovável, promover esse diferencial torna-se estratégico para ampliar a competitividade regional.>
“A fala do nosso presidente, Alex, foi contundente ao enfatizar a necessidade de união. Recentemente, conversei com a representante da Petrobras sobre a importância de estabelecermos uma articulação estratégica entre o Estado e as federações. O objetivo é compreender as demandas da companhia para viabilizar sua instalação e operação em nosso território, permitindo que superemos entraves burocráticos e avancemos no desenvolvimento regional”, disse o secretário.>
Esse entendimento de convergência entre estratégia pública e capacidade empresarial também foi reforçado pelo diretor-superintendente do Sebrae Pará, Rubens Magno. Em sua fala, ele destacou que o estado reúne condições para responder rapidamente às oportunidades que se abrem no novo ciclo energético e defendeu que preparação institucional e capacidade de adaptação serão diferenciais para capturar os benefícios desse movimento.>
Debates qualificados destacam potencial amazônico>
Um dos principais eixos do encontro foi o debate sobre petróleo e gás no Brasil, Guiana e Suriname e o avanço das discussões sobre a Margem Equatorial.>
Os painéis do primeiro dia destacaram o potencial econômico da região e os aprendizados da campanha exploratória na Bacia da Foz do Amazonas, com reflexões sobre infraestrutura, preparação territorial e capacidade de transformar investimentos em desenvolvimento regional.>
Mais do que discutir exploração, o evento trouxe para o centro da agenda temas como segurança energética, integração regional e planejamento de longo prazo. Outro destaque foi o debate sobre como ampliar a participação da indústria regional nesse novo ciclo econômico.>
Foram apresentadas oportunidades para micro e pequenas empresas, caminhos para inserção na cadeia de fornecedores da Petrobras e o potencial dos minerais estratégicos para atender às demandas globais da transição energética.>
A mensagem principal reforçou que capturar valor dependerá não apenas dos recursos disponíveis, mas da capacidade de desenvolver fornecedores, tecnologia e indústria local. Temas como inovação aberta, descarbonização, digitalização e integração entre empresas, universidades e startups mostraram que o avanço energético da Amazônia exige soluções construídas dentro do território.>