Após tarifaço dos EUA, Lula libera R$ 18,5 bilhões em crédito para empresas afetadas

Recursos do programa "Brasil Soberano 3" buscam socorrer exportadores atingidos por novas taxas de 25%; contrapartida para financiamento exige manutenção de empregos.

Publicado em 22 de julho de 2026 às 16:37

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante reunião com CEO e Diretor Executivo da Stellantis, Antonio Filosa, no Palácio do Planalto, Brasília - DF.
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante reunião com CEO e Diretor Executivo da Stellantis, Antonio Filosa, no Palácio do Planalto, Brasília - DF. Crédito: Ricardo Stuckert

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta quarta-feira (22) a liberação de R$ 18,5 bilhões em linhas de crédito voltadas especificamente para socorrer as empresas afetadas pelo tarifaço imposto pelos Estados Unidos. A medida, batizada de "Brasil Soberano 3", visa mitigar os prejuízos causados pela taxação adicional de 25% sobre produtos brasileiros, como aço, alumínio e máquinas, além de atender setores impactados pela instabilidade no Oriente Médio. Do montante total, R$ 13,5 bilhões são oriundos de recursos não utilizados em etapas anteriores do programa e de renegociações de dívidas rurais, enquanto outros R$ 5 bilhões serão aportados pelo BNDES.

O financiamento será destinado a exportadores de diversos segmentos estratégicos, incluindo os setores automotivo, de madeira, farmacêutico e de minerais críticos. Para ter acesso ao crédito, o governo federal estabeleceu regras de contrapartida, sendo a principal delas o compromisso das empresas em manter, ao menos em parte, os seus quadros de funcionários.

Paralelamente, o presidente também sancionou a lei que libera R$ 15 bilhões referentes ao "Brasil Soberano 2", ampliando o suporte financeiro que já vinha sendo estruturado desde o ano passado para responder ao protecionismo norte-americano.

A ofensiva econômica ocorre em um momento de endurecimento diplomático, após representantes da Casa Branca mostrarem-se inflexíveis nas negociações recentes. Segundo integrantes do governo brasileiro, os Estados Unidos apresentaram exigências consideradas inaceitáveis, como mudanças na legislação nacional sobre o sistema PIX e sobre minerais essenciais para tecnologias de defesa e energia.

O vice-presidente Geraldo Alckmin reiterou que o "tarifaço" não possui justificativa técnica, uma vez que a maioria dos produtos americanos entra no Brasil sem taxas, e afirmou que o país continuará priorizando a via diplomática em vez de adotar retaliações imediatas.

Texto por Suellen Godinho, com supervisão de Adrielle Brito.