Banco Central registra queda brusca no ritmo de saques da poupança em abril

Após um acumulado de R$ 41,7 bilhões em retiradas no primeiro quadrimestre, novos dados do BC mostram que o volume de saques líquidos despencou.

Publicado em 11 de maio de 2026 às 08:48

Banco Central registra queda brusca no ritmo de saques da poupança em abril
Banco Central registra queda brusca no ritmo de saques da poupança em abril Crédito: Agência Brasil

O Banco Central (BC) divulgou, nesta sexta-feira (8), o relatório mensal que serve como termômetro para a saúde financeira dos brasileiros. O dado principal chama a atenção pelo alívio: em abril, a caderneta de poupança registrou uma saída líquida de R$ 476,44 milhões. Embora o saldo continue negativo, a cifra representa uma redução drástica em comparação aos meses anteriores de 2026, sinalizando uma estabilização inesperada no fluxo de caixa das famílias.

A radiografia do BC mostra que o mês de abril foi marcado por um equilíbrio quase perfeito entre quem guarda e quem retira. Foram depositados R$ 362,20 bilhões contra saques de R$ 362,7 bilhões. Para se ter uma ideia da mudança de ritmo, em janeiro deste ano, o BC havia contabilizado uma perda recorde de R$ 23,5 bilhões, o que gerou preocupação sobre a capacidade de poupança da população no início do ano.

Ao analisar o histórico sob a ótica da autoridade monetária, o resultado atual é o melhor desempenho para um mês de abril nos últimos anos. Em 2025, por exemplo, o déficit no mesmo período foi de R$ 6,4 bilhões. O BC destaca que essa contenção na saída de recursos é fundamental para o Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), que financia grande parte do setor imobiliário, e que em abril teve uma saída líquida controlada de R$ 498,95 milhões.

Apesar do otimismo pontual, o acumulado de janeiro a abril ainda soma R$ 41,72 bilhões em saques, refletindo a migração de investidores para ativos com rendimentos mais atrativos ou o uso das reservas para custeio de dívidas. O Banco Central continua monitorando esses fluxos, lembrando que em 2023 o país viveu sua segunda maior retirada histórica (R$ 87,8 bilhões), enquanto o atual cenário de 2026, embora desafiador, parece caminhar para uma maior previsibilidade econômica.