Brasil corre contra o tempo para evitar taxa de 25% dos EUA

Com prazo final nesta quarta-feira (15), governo Lula mantém firmeza em negociações com Washington, mas bastidores indicam que cenário é pessimista.

Publicado em 13 de julho de 2026 às 07:14

Presidente Lula
Presidente Lula Crédito: Ricardo Stuckert - PR

A diplomacia brasileira vive dias de pura adrenalina e café forte. Até esta quarta-feira (15), o governo dos Estados Unidos vai bater o martelo sobre a aplicação de uma pesada tarifa de 25% contra produtos brasileiros. A ameaça tem como base a chamada "seção 301", uma investigação norte-americana que analisa práticas comerciais externas. Diante do prazo apertado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva montou uma força-tarefa com seus ministros para traçar a linha de defesa final do país, deixando claro que, embora o diálogo continue, o Brasil não vai ceder a qualquer preço.

A última cartada brasileira deve acontecer ainda antes do prazo final, em uma reunião crucial do grupo de trabalho bilateral. O encontro será com Jamieson Greer, o chefe do USTR, órgão que cuida do comércio exterior dos EUA. Esta será a quinta vez que Greer se reúne com a equipe brasileira, e a expectativa é que ele já traga um spoiler definitivo da decisão de Washington sobre o andamento das investigações.

Na sexta-feira (10), Lula convocou uma reunião de emergência com os ministros Mauro Vieira, das Relações Exteriores, e Márcio Elias Rosa, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. O clima no Palácio do Planalto, no entanto, é de realismo com uma boa dose de pessimismo. Fontes internas apontam que o cenário mais provável é mesmo o início da taxação, impulsionado por sinais duros recebidos nas últimas conversas, pela postura histórica da ala mais protecionista dos EUA e por declarações recentes do próprio Greer, que afirmou publicamente haver uma grande distância entre as propostas dos dois países.

Mesmo sob forte pressão, a ordem de Lula é manter o jogo técnico e proteger os interesses nacionais a todo custo. Isso significa que o combustível verde, muito visado pelos produtores americanos, não será usado como moeda de troca e o etanol continuará fora da mesa. Além disso, a ferramenta de pagamentos instantâneos do Banco Central foi blindada pelo governo brasileiro, tornando o Pix algo totalmente inegociável e fora do documento de concessões apresentado.

Para tentar acalmar os ânimos de Washington, o Brasil elaborou uma contraproposta que ataca os seis eixos da investigação americana, que envolvem temas que vão desde o combate à corrupção até o controle do desmatamento. O plano brasileiro mistura projetos que já estão andando no Congresso Nacional com medidas internas do próprio governo.

Como a Organização Mundial do Comércio proíbe que um país dê descontos exclusivos para outro, a saída brasileira foi criativa, oferecendo a redução dos impostos de importação para cerca de 300 produtos do mercado internacional, focando em setores onde as empresas americanas são altamente competitivas, mas que não chegam a quebrar as indústrias daqui.

Embora a aplicação da taxa seja dada como quase certa, analistas e fontes do Planalto não descartam um roteiro alternativo bem político nos bastidores. Existe uma chance remota de os Estados Unidos adiarem a decisão para dar um palanque e uma vitória política ao senador de oposição Flávio Bolsonaro, que esteve envolvido diretamente nas audiências sobre o tema nos últimos dias.

O Palácio do Planalto, contudo, trata essa possibilidade como um tiro no escuro, sabendo que as próximas horas serão decisivas para o bolso e o comércio do país.