Caso Master é destaque em renomada revista britânica The Economist

Artigo destaca gastos extravagantes da instituição e o maior reembolso da história do Brasil a depositantes

Publicado em 22 de janeiro de 2026 às 23:06

Investigação sobre o Banco Master começou com denúncia anônima enviada à Polícia Federal
Investigação sobre o Banco Master começou com denúncia anônima enviada à Polícia Federal Crédito: Reprodução/Agência Brasil

A revista britânica The Economist publicou nesta quinta-feira (22) um artigo detalhando a falência do Banco Master e os impactos do caso, que, segundo a publicação, vão muito além do setor financeiro ao revelar conexões entre empresários, parlamentares e integrantes do Judiciário brasileiro.

O texto, intitulado “A quebra de um banco brasileiro envolve políticos e juízes”, traça a trajetória do banco após Daniel Vorcaro assumir a presidência, em 2019. A revista descreve uma gestão marcada por gastos luxuosos, incluindo imóveis, jatos particulares, um hotel de luxo, um time de futebol e até a festa de 15 anos da filha de Vorcaro, avaliada em mais de US$ 3 milhões.

“Enquanto o champanhe rolava solto e os jatos acumulavam milhas, alguns questionavam como o Banco Master estava crescendo tão rápido”, afirma a publicação. O crescimento acelerado, segundo a análise, era sustentado pela venda de certificados de depósito bancário com taxas de juros excepcionalmente altas, produto popular de renda fixa no Brasil.

A situação se agravou quando Vorcaro tentou vender o Banco Master ao Banco de Brasília (BRB). Durante a análise da operação, o Banco Central identificou problemas graves, como a falta de liquidez e a comercialização de carteiras de crédito consideradas sem valor econômico.

“Os investigadores descobriram que a empresa havia vendido carteiras de crédito sem valor para o BRB por mais de US$ 2 bilhões. Pouco depois, Vorcaro foi preso ao tentar embarcar em um jato particular para Dubai”, relata a Economist.

O caso terá impacto histórico para os depositantes: o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) deverá desembolsar entre US$ 7,5 bilhões e US$ 10 bilhões, configurando a maior indenização de reembolso de depósitos já registrada no Brasil.

Além das repercussões financeiras, a publicação britânica ressalta que a falência expôs uma rede complexa de relações políticas e institucionais, reforçando a percepção de que o episódio não se restringe ao sistema bancário, mas revela vínculos entre empresários, políticos e membros do Judiciário em Brasília.

Fonte: Metrópoles