Caso Master: liquidação da Reag expõe R$ 350 bilhões em caixa-preta

Liquidação da gestora Reag Investimentos revela quantia bilionária em fundos com donos ocultos

Publicado em 15 de janeiro de 2026 às 22:10

Reag Investimentos -
Reag Investimentos - Crédito: Divulgação

O Banco Central determinou nesta quinta-feira (15) a liquidação da gestora de fundos Reag, envolvida no caso Master, abrindo uma das maiores caixas-pretas do mercado financeiro brasileiro. A empresa administrava recursos que somam mais de R$ 350 bilhões, parte deles em estruturas complexas capazes de ocultar a identidade dos investidores

A Reag Investimentos se destacou por operar fundos cujo cotista é, frequentemente, outro fundo, criando uma rede de camadas que dificulta rastrear a origem e o destino final do dinheiro. Embora não configure necessariamente crime, esse tipo de estrutura facilita que recursos sejam movimentados sem que CPFs ou CNPJs sejam diretamente identificados, mantendo os nomes dos investidores em sigilo.

Investigações conduzidas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público, dentro da Faria Lima, já indicaram que a Reag foi usada por perfis ligados a atividades ilícitas. A operação Carbono Oculto apontou que o esquema servia para lavar dinheiro de refinarias sob controle de organizações criminosas, incluindo o PCC. Entretanto, especialistas apontam que esse grupo seria apenas parte da base de clientes da gestora.

A liquidação da Reag ocorre um dia depois da segunda fase da operação Compliance Zero, que envolveu o Banco Master e outras instituições, e ajudou a expor parte da rede financeira por trás de movimentações suspeitas.

O crescimento da Reag chamou atenção de analistas: em cinco anos, seu patrimônio sob gestão saltou de R$ 25 bilhões, em 2020, para mais de R$ 350 bilhões em 2025, conforme dados da Associação Brasileira das Entidades do Mercado Financeiro e de Capitais (Anbima).

Com a liquidação, todas as informações da gestora estarão agora à disposição dos órgãos de fiscalização, permitindo que as investigações avancem e que a complexa rede de fundos seja auditada.

Fonte: Metrópoles