Publicado em 28 de abril de 2026 às 18:47
Dados exclusivos de um balancete contábil da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (Correios) indicam que a estatal registrou um prejuízo prévio de R$ 3,4 bilhões entre janeiro e março de 2026. O montante representa o dobro do saldo negativo apurado no primeiro trimestre de 2025, que foi de R$ 1,7 bilhão. Com esse novo dado, a empresa completa uma sequência de 14 trimestres seguidos no vermelho.>
De acordo com os documentos, enquanto a receita da estatal permaneceu estável em cerca de R$ 4 bilhões, as despesas saltaram de R$ 6,4 bilhões para R$ 7,4 bilhões no comparativo anual. Esse aumento nos gastos foi impulsionado, principalmente, por despesas financeiras e provisões judiciais.>
O principal vilão do balanço foram as despesas financeiras, que tiveram uma alta expressiva de 312%, passando de R$ 224 milhões para R$ 925 milhões. Esse aumento é atribuído a juros e multas de contratos e ao pagamento de empréstimos de R$ 12 bilhões tomados pela estatal no fim de 2025. Por outro lado, os gastos com pessoal, historicamente um ponto crítico, mantiveram-se estáveis em R$ 2,6 bilhões. No campo das receitas, o impacto mais severo veio das encomendas internacionais, que despencaram 60,3% no primeiro trimestre. O faturamento nesse setor caiu de R$ 393 milhões para R$ 156 milhões, reflexo direto do programa Remessa Conforme, conhecido pela cobrança da "taxa das blusinhas" em compras de até US$ 50.>
Apesar do cenário deficitário, a estatal apresentou resultados positivos em áreas específicas de atuação:>
Logística: Crescimento de 150%, saltando para R$ 258 milhões em receita.>
Serviços de conveniência: Alta de 56%.>
Mensagens (cartas): Incremento de 11,4%, gerando R$ 1,2 bilhão.>
O prejuízo consolidado de 2025 já havia atingido a marca de R$ 8,5 bilhões, valor três vezes superior ao registrado em 2024. Até o momento, os Correios informaram que as demonstrações contábeis oficiais de 2026 ainda estão em processo de fechamento e não há data para a divulgação definitiva.>
Texto por Suellen Godinho, com supervisão de Cássio Leal.>