Déficit do setor público salta para R$ 56,1 bilhões e acende alerta na economia, aponta BC

Novo relatório do Banco Central aponta que rombo de maio superou as perdas do ano passado.

Publicado em 30 de junho de 2026 às 11:07

Déficit do setor público salta para R$ 56,1 bilhões e acende alerta na economia
Déficit do setor público salta para R$ 56,1 bilhões e acende alerta na economia Crédito: Marcelo Camargo/ Agência Brasil

O bolso do Brasil fechou o mês de maio com um buraco mais profundo do que o esperado. Dados oficiais do Boletim de Estatísticas Fiscais, apresentados pelo Banco Central nesta terça-feira (30), revelam que o setor público consolidado registrou um déficit primário de R$ 56,1 bilhões. Na prática, isso significa que a soma dos gastos dos governos e de suas empresas estatais superou a arrecadação de impostos e receitas nesse período, sem contar o pagamento dos juros da dívida. O saldo negativo preocupa por vir em uma linha crescente, superando com folga o prejuízo de R$ 33,7 bilhões anotado no mesmo mês do ano anterior.

O principal responsável por puxar esse indicador para baixo foi o governo central, formado pelo Tesouro Nacional, Previdência Social e o próprio Banco Central, que sozinho acumulou um resultado negativo de R$ 55,2 bilhões. Os governos regionais, formados pelos estados e municípios, também fecharam no vermelho com um saldo de R$ 1,2 bilhão.

O único alívio, ainda que tímido, veio das empresas estatais, que conseguiram registrar um superávit de R$ 300 milhões, ou seja, arrecadaram mais do que gastaram. Olhando o panorama dos últimos doze meses, o rombo acumulado do país já chega a R$ 149 bilhões.

Esse descompasso entre o que entra e o que sai reflete diretamente no tamanho da dívida bruta do governo geral, que engloba as obrigações municipais, estaduais, federais e do INSS. Em maio, esse indicador deu um salto de 0,9 ponto percentual na comparação com o mês anterior e atingiu a marca de 81,1% do Produto Interno Bruto (PIB), o equivalente a R$ 10,6 trilhões em termos nominais.

De acordo com a análise técnica do Banco Central, essa escalada da dívida foi impulsionada principalmente pela emissão de novos títulos, o peso dos juros acumulados, as variações do PIB e o impacto da valorização do câmbio.

Por fim, o relatório também atualizou a situação da dívida líquida, que funciona como uma espécie de termômetro real da saúde financeira do país por calcular o endividamento total menos as reservas e ativos que o governo tem guardados. Seguindo a tendência de alta, a dívida líquida subiu 0,7 ponto percentual e alcançou 67,9% do PIB, somando R$ 8,6 trilhões.

Esse crescimento foi blindado por fatores similares aos da dívida bruta, evidenciando como a flutuação do dólar e a necessidade de cobrir os déficits mensais continuam pressionando as finanças públicas nacionais.