Publicado em 15 de julho de 2026 às 14:34
O chefe do Escritório do Representante Comercial da Casa Branca (USTR), Jamieson Greer, confirmou a interlocutores do governo brasileiro que já encaminhou ao presidente Donald Trump a recomendação final para a imposição de um novo tarifaço sobre produtos brasileiros. Apesar da confirmação, Greer sinalizou que a lista de produtos isentos das taxas poderá ser ampliada.>
Na última reunião entre as duas nações, ocorrida nesta terça-feira (14), o representante americano deu as negociações por encerradas e criticou o que chamou de falta de empenho do lado brasileiro. As autoridades brasileiras, incluindo o ministro Márcio Elias Rosa e os embaixadores Mauricio Lyrio e Audo Faleiro, rebateram os argumentos, apontando a ausência de fundamentos técnicos para as sanções, como as acusações de aumento do desmatamento, que não condizem com os dados atuais da Amazônia.>
Durante o processo, o governo brasileiro tentou negociar a redução de tarifas sobre o etanol em troca de maior acesso ao mercado de açúcar nos EUA, mas a proposta foi descartada pelo USTR. Greer também esclareceu que não haverá uma "lista dinâmica" de exceções, indicando que não ocorrerão aumentos graduais na lista de isenções após a divulgação oficial das tarifas.>
Atualmente, estima-se que o tarifaço possa atingir 21% do valor das exportações brasileiras para os Estados Unidos. No entanto, há um forte otimismo no governo Lula para reduzir esse percentual. A tese de que boa parte do comércio bilateral envolve subsidiárias americanas que exportam peças e componentes produzidos no Brasil para suas matrizes nos EUA foi bem recebida pelo USTR. Isso gera a expectativa de que diversos produtos industrializados possam escapar da nova taxação.>
A decisão sobre o Brasil ocorre em um momento de ajustes na política comercial de Donald Trump. Paralelamente às tratativas com o governo brasileiro, o presidente americano recuou da ideia de impor uma taxa de 20% sobre mercadorias no Estreito de Ormuz, optando por substituir o "pedágio" por acordos de investimento com países do Golfo. Mesmo com o encerramento formal das rodadas de conversa sobre as tarifas brasileiras, Greer demonstrou disposição em manter canais abertos com Brasília para tratativas futuras.>
Texto por Suellen Godinho, com supervisão de Adrielle Brito.>