EUA confirmam novo tarifaço ao Brasil, mas sinalizam ampliação de exceções

Governo Lula tem otimismo em reduzir impacto sobre produtos industrializados de subsidiárias americanas.

Publicado em 15 de julho de 2026 às 14:34

Presidente dos EUA, Donald Trump. 
Presidente dos EUA, Donald Trump.  Crédito: Daniel Torok/Official White House

O chefe do Escritório do Representante Comercial da Casa Branca (USTR), Jamieson Greer, confirmou a interlocutores do governo brasileiro que já encaminhou ao presidente Donald Trump a recomendação final para a imposição de um novo tarifaço sobre produtos brasileiros. Apesar da confirmação, Greer sinalizou que a lista de produtos isentos das taxas poderá ser ampliada.

Na última reunião entre as duas nações, ocorrida nesta terça-feira (14), o representante americano deu as negociações por encerradas e criticou o que chamou de falta de empenho do lado brasileiro. As autoridades brasileiras, incluindo o ministro Márcio Elias Rosa e os embaixadores Mauricio Lyrio e Audo Faleiro, rebateram os argumentos, apontando a ausência de fundamentos técnicos para as sanções, como as acusações de aumento do desmatamento, que não condizem com os dados atuais da Amazônia.

Durante o processo, o governo brasileiro tentou negociar a redução de tarifas sobre o etanol em troca de maior acesso ao mercado de açúcar nos EUA, mas a proposta foi descartada pelo USTR. Greer também esclareceu que não haverá uma "lista dinâmica" de exceções, indicando que não ocorrerão aumentos graduais na lista de isenções após a divulgação oficial das tarifas.

Atualmente, estima-se que o tarifaço possa atingir 21% do valor das exportações brasileiras para os Estados Unidos. No entanto, há um forte otimismo no governo Lula para reduzir esse percentual. A tese de que boa parte do comércio bilateral envolve subsidiárias americanas que exportam peças e componentes produzidos no Brasil para suas matrizes nos EUA foi bem recebida pelo USTR. Isso gera a expectativa de que diversos produtos industrializados possam escapar da nova taxação.

A decisão sobre o Brasil ocorre em um momento de ajustes na política comercial de Donald Trump. Paralelamente às tratativas com o governo brasileiro, o presidente americano recuou da ideia de impor uma taxa de 20% sobre mercadorias no Estreito de Ormuz, optando por substituir o "pedágio" por acordos de investimento com países do Golfo. Mesmo com o encerramento formal das rodadas de conversa sobre as tarifas brasileiras, Greer demonstrou disposição em manter canais abertos com Brasília para tratativas futuras.

Texto por Suellen Godinho, com supervisão de Adrielle Brito.