Governo fará ajuste no ano eleitoral e prepara 'freios' para gastos a partir de 2027

A informação foi dada por Guilherme Mello, que também destacou a criação de mecanismos automáticos para segurar despesas nos anos seguintes.

Publicado em 9 de abril de 2026 às 14:02

O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Guilherme Mello
O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Guilherme Mello Crédito: Washington Costa/MF

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende continuar fazendo ajustes nas contas públicas em 2026, mesmo sendo um ano de eleição. A informação foi dada por Guilherme Mello, que também destacou a criação de mecanismos automáticos para segurar despesas nos anos seguintes.

Em sua primeira entrevista no novo cargo, após deixar a Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda, Mello afirmou que a mudança deve melhorar a articulação entre os ministérios e tornar a gestão do orçamento mais eficiente.

Segundo ele, o governo não deve mudar a estratégia por causa das eleições. A ideia é manter uma política de ajustes contínuos, ou seja, pequenas correções feitas ao longo do tempo, tanto para aumentar receitas quanto para controlar gastos.

“Não trabalhamos com grandes pacotes, mas com medidas constantes que vêm dando resultado”, explicou.

A fala ocorre em meio à preocupação de economistas sobre um possível aumento de gastos públicos em ano eleitoral, o que poderia pressionar as contas do país.

O que muda na prática?

Mello destacou que, após o resultado negativo das contas públicas em 2025 (déficit de 0,4% do PIB), começam a valer regras mais rígidas previstas no novo arcabouço fiscal.

Entre elas, estão os chamados “gatilhos” — medidas automáticas que entram em ação para conter despesas quando as metas fiscais não são cumpridas.

Na prática, isso significa:

• O governo não poderá criar ou ampliar benefícios fiscais (como isenções de impostos);

• Haverá limite mais rígido para o crescimento dos gastos com servidores;

• Entre 2027 e 2030, essas despesas só poderão crescer até 0,6% ao ano acima da inflação.

Essas regras foram aprovadas dentro do novo modelo fiscal criado para substituir o antigo teto de gastos.

Objetivo: equilibrar contas e manter programas sociais

De acordo com Mello, o desafio é manter o equilíbrio das contas públicas sem deixar de atender demandas sociais.

A estratégia do governo é seguir com ajustes graduais, evitando medidas bruscas, enquanto tenta garantir estabilidade econômica e continuidade de programas.

A expectativa é que esse modelo ajude a controlar o crescimento da dívida pública ao longo dos próximos anos, mesmo com pressões típicas de períodos eleitorais.

Com informações do InfoMoney