Publicado em 27 de agosto de 2026 às 09:21
Quem nunca passou em uma das famosas lojas do Habib’s para pedir uma esfiha de última hora ou parou no Ragazzo para saborear as tradicionais coxinhas? Símbolos de uma era de lanches rápidos e acessíveis no Brasil, as marcas agora enfrentam um dos momentos mais desafiadores de sua trajetória. O Grupo Gennius, conglomerado que comanda essas redes além do Tendall Grill, oficializou um pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo para tentar colocar as contas em dia.>
Com um passivo declarado que chega a R$ 265,2 milhões, a empresa viu o pedido ser aceito rapidamente pelo juiz Jomar Juarez Amorim, da 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da capital paulista. No total, a reestruturação engloba uma complexa engrenagem de 178 pessoas jurídicas o que inclui 119 unidades próprias do Habib’s, 26 do Ragazzo, 6 churrascarias Tendall, além de holdings, franqueadoras e sociedades operacionais. Do montante devido, a maior parte (cerca de R$ 241,7 milhões) refere-se a créditos sem garantia real, enquanto as obrigações trabalhistas somam R$ 22,3 milhões.>
Mas o que levou um gigante do fast-food a essa situação? Nos documentos apresentados à Justiça, a companhia apontou uma tempestade perfeita nos últimos anos. Os impactos prolongados da pandemia de covid-19 esvaziaram shoppings e centros urbanos, reduzindo o fluxo de clientes presenciais. Ao mesmo tempo, a forte expansão dos aplicativos de delivery alterou profundamente a forma como as pessoas consomem comida. Para piorar o cenário, a escalada da taxa Selic encareceu o custo dos empréstimos e estrangulou o capital de giro necessário para manter a operação rodando sem sustos.>
Apesar do peso do processo, que teve a consultoria KPMG nomeada como administradora judicial, a mensagem para o público é de tranquilidade. Em comunicado oficial, o grupo reforçou que todas as lojas seguem funcionando normalmente, mantendo o atendimento, o cardápio e a rotina de qualidade de sempre. A Justiça também determinou a suspensão temporária de ações e execuções de cobrança contra as empresas, dando um respiro para o planejamento.>
Agora, o relógio corre. A KPMG tem um prazo de 15 dias para entregar um raio-X detalhado sobre a real situação financeira do negócio, enquanto os credores poderão avaliar e contestar os valores. Paralelamente, o Grupo Gennius precisará apresentar, em até 60 dias, um plano concreto de recuperação. O plano de retomada desenhado pela empresa aposta em uma reorganização societária, na abertura de novos pontos em regiões estratégicas e no fortalecimento ainda maior das vendas digitais e por entrega, buscando resgatar o DNA de inovação que marcou a história da rede desde a sua fundação, em 1987.>