Indústria brasileira interrompe sequência de alta e tem leve recuo em maio

Setor recuou 0,2% após cinco meses seguidos no azul; combustíveis e mineração puxaram a queda, enquanto o setor automotivo e o de medicamentos evitaram um tombo maior.

Publicado em 3 de julho de 2026 às 10:33

Indústria brasileira interrompe sequência de alta e tem leve recuo em maio
Indústria brasileira interrompe sequência de alta e tem leve recuo em maio Crédito: Reprodução/CNI

Depois de passar o início do ano em ritmo acelerado, a produção industrial nacional pisou levemente no freio. O setor registrou uma retração de 0,2% na transição de abril para maio, interrompendo uma sequência positiva que vinha se mantendo desde o começo do ano. Este foi o primeiro resultado negativo da indústria desde dezembro de 2025, quando o segmento havia fechado no vermelho com uma queda de 1,9%. Os dados foram apresentados nesta sexta-feira (3) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, por meio da Pesquisa Industrial Mensal.

O resultado surpreendeu as projeções econômicas, já que o mercado financeiro aguardava um avanço de 0,3% para o período. Esse desempenho abaixo do esperado foi destacado em um boletim da Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda. Apesar do tropeço mensal, o cenário mais amplo ainda mostra resiliência, com uma expansão discreta de 0,2% na comparação com maio do ano passado e uma alta de 0,4% no acumulado dos últimos 12 meses. Atualmente, o nível de produção das fábricas brasileiras se posiciona 4,5% acima do patamar de antes da pandemia, embora ainda esteja 13% abaixo do recorde histórico registrado em maio de 2011.

Antes desse recuo, a indústria vinha desenhando uma trajetória de recuperação consistente ao longo dos meses anteriores. O setor havia registrado um crescimento de 2,2% em janeiro, seguido por altas de 1,1% em fevereiro, 0,3% em março e 0,7% em abril, o que torna a oscilação de maio um ponto de ajuste após um longo período de ganhos na atividade fabril.

O principal freio da produção veio do setor energético e da extração mineral, que interromperam uma sequência de cinco meses em alta. A produção de derivados do petróleo, biocombustíveis e coque apresentou uma queda de 6,1%, impactada diretamente pela menor fabricação de combustíveis populares como a gasolina e o álcool etílico. Logo atrás vieram as indústrias extrativas, com baixa de 2,6%, prejudicadas pela menor extração de matérias-primas essenciais como o minério de ferro, o gás natural e o óleo bruto de petróleo. Para completar o lado negativo do balanço, o segmento de produtos alimentícios recuou 1,3%.

Por outro lado, o tombo só não foi maior graças ao fôlego dos laboratórios e das montadoras de veículos. A fabricação de produtos farmoquímicos e farmacêuticos deu um salto expressivo de 13,1% no período. Já o setor automobilístico, englobando carros, caminhões e autopeças, avançou 4,1% e engatou o seu quinto mês seguido de crescimento. A produção de artigos químicos também colaborou positivamente com uma alta de 3,1%.

A análise das grandes categorias econômicas mostra que o consumo de bens de maior valor foi o único a avançar no período, com os bens de consumo duráveis registrando uma alta de 3,6%. Em contrapartida, todas as outras áreas fecharam em declínio, com perdas de 0,2% em bens de capital, que representam as máquinas e equipamentos industriais, 0,4% em bens intermediários e 1,3% no segmento de bens de consumo semi e não duráveis.

Com informações da Agência Brasil