Pão de Açúcar apresenta plano para renegociar R$ 4,5 bilhões em dívidas e suspende pagamentos por 90 dias

A estratégia busca reorganizar as finanças da companhia sem recorrer à recuperação judicial, processo que costuma ser mais longo e envolve todos os credores.

Publicado em 10 de março de 2026 às 14:01

Grupo Pão de Açúcar 
Grupo Pão de Açúcar  Crédito: Divulgação 

O Grupo Pão de Açúcar (GPA) informou nesta terça-feira (10) que fechou um acordo com parte dos credores e apresentou um plano de recuperação extrajudicial para renegociar cerca de R$ 4,5 bilhões em dívidas.

A proposta prevê a suspensão temporária dos pagamentos por 90 dias, período em que a empresa pretende negociar novas condições para quitar os débitos. A estratégia busca reorganizar as finanças da companhia sem recorrer à recuperação judicial, processo que costuma ser mais longo e envolve todos os credores.

Segundo o GPA, o plano foi aprovado por unanimidade pelo conselho de administração e já conta com o apoio de credores que representam 46% das dívidas incluídas na negociação, cerca de R$ 2,1 bilhões — percentual acima do mínimo exigido pela legislação para iniciar esse tipo de acordo.

A empresa afirmou que dívidas com fornecedores, parceiros, clientes e obrigações trabalhistas não fazem parte do plano e continuarão sendo pagas normalmente. Com isso, as operações da rede devem seguir sem mudanças nas lojas.

Em comunicado ao mercado, o GPA disse que a iniciativa tem como objetivo melhorar o perfil da dívida e reforçar o caixa da companhia, permitindo enfrentar dificuldades de liquidez no curto prazo e garantir sustentabilidade financeira no futuro.

Crise financeira

O grupo, responsável pela rede de supermercados Pão de Açúcar, enfrenta dificuldades financeiras nos últimos anos. Entre os fatores que pressionaram os resultados estão:

• queda no consumo em períodos de inflação alta de alimentos;

• juros elevados, que aumentaram o custo das dívidas;

• gastos com mudanças internas de gestão;

• pagamento de passivos fiscais e trabalhistas;

• fechamento ou perdas em lojas com baixo desempenho.

Desde 2022, a empresa registra prejuízos anuais. No balanço mais recente, divulgado no fim do ano passado, o GPA chegou a alertar o mercado sobre incertezas em relação à capacidade de manter as operações no longo prazo.