Publicado em 26 de março de 2026 às 16:14
O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, revelou nesta quinta-feira (26) que o Brasil atingiu a marca de 101 milhões de usuários de cartão de crédito. O número, referente a janeiro de 2026, aponta que quase metade dos 213 milhões de brasileiros utiliza essa modalidade, que hoje é apontada como a grande responsável pelo elevado nível de endividamento das famílias.>
De acordo com o BC, o estoque do crédito rotativo, a linha mais cara do mercado financeiro, registrou um crescimento de 31% em doze meses, totalizando R$ 84,8 bilhões. Em janeiro, a taxa de juros dessa modalidade chegou ao patamar alarmante de 425% ao ano. Galípolo destacou que muitos brasileiros estão utilizando o limite do cartão de forma recorrente, transformando o crédito em uma extensão da própria renda para arcar com despesas básicas, em vez de reservá-lo para emergências.>
A análise do Banco Central indica que o aumento no uso dos cartões foi impulsionado por quatro choques econômicos recentes, incluindo a pandemia e conflitos internacionais, que elevaram o custo de vida. "Mesmo que consiga controlar a inflação, os preços subiram quatro degraus. Isso se soma ao que está impactando o orçamento das famílias", explicou o presidente. Ele classificou os juros do rotativo como "taxas punitivas" e reforçou a necessidade de os trabalhadores buscarem linhas de crédito mais compatíveis com sua capacidade de pagamento.>
A declaração ocorre em meio à pressão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que tem demonstrado preocupação com o fato de o endividamento da população estar em um dos níveis mais altos das últimas décadas. Em um evento em Anápolis (GO), Lula afirmou ter cobrado do Ministério da Fazenda soluções para facilitar o pagamento dos débitos. "Não quero que deixem de se endividar para ter coisas novas na vida, mas ver como a gente faz para facilitar o pagamento do que devem", declarou o presidente.>
Por outro lado, Galípolo alertou que eventuais intervenções diretas para limitar as taxas de juros podem gerar uma redução na oferta de crédito, o que poderia agravar o desconforto financeiro dos consumidores. O Banco Central defende que a solução passa pela construção de "arranjos mais saudáveis" e alternativas de crédito mais adequadas à realidade financeira de cada cliente.>
Com informações do g1.>
Texto por Suellen Godinho, com supervisão de Cássio Leal.>