Setores produtivos do Brasil temem retaliação e pedem diálogo contra ‘tarifaço’ dos EUA

Entidades como CNI e Abimaq alertam que acionar Lei de Reciprocidade pode elevar tensão e prejudicar economia; governo brasileiro considera novas taxas de até 25% "arbitrárias".

Publicado em 24 de julho de 2026 às 15:34

Para o setor produtivo, uma retaliação direta pode provocar uma escalada política e comercial ainda mais danosa.
Para o setor produtivo, uma retaliação direta pode provocar uma escalada política e comercial ainda mais danosa. Crédito: Reprodução/Jornal Nacional/TV Globo

Entidades empresariais brasileiras manifestaram preocupação com a intenção do governo federal de adotar medidas de retaliação contra os Estados Unidos em resposta aos recentes aumentos de tarifas de importação. Organizações como a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Abimaq (máquinas) e a Amcham (Câmara Americana de Comércio) defendem que o Brasil deve insistir na via diplomática e no diálogo, em vez de aplicar a chamada Lei de Reciprocidade.

O impasse ocorre após os EUA anunciarem dois aumentos tarifários significativos: o primeiro de 25%, sob alegação de práticas econômicas desleais por parte do Brasil, e o mais recente de 12,5%, motivado por acusações relacionadas a falhas na fiscalização de trabalho forçado. O Palácio do Planalto classificou as decisões como “arbitrárias e injustificadas” e anunciou o início dos trâmites para possíveis contramedidas comerciais e uma denúncia à Organização Mundial do Comércio (OMC).

Para o setor produtivo, uma retaliação direta pode provocar uma escalada política e comercial ainda mais danosa, impactando postos de trabalho e elevando os preços para o consumidor brasileiro. O presidente da CNI, Ricardo Alban, afirmou que continuar negociando é a "opção número um" no momento. A Abimaq e a Amcham reforçaram que medidas de reciprocidade não contribuem para superar as divergências e podem agravar o ambiente de negócios entre os dois países.

Apesar do apelo das empresas, o clima no Ministério das Relações Exteriores é de ceticismo. Diplomatas avaliam que o governo de Donald Trump não demonstrou intenção real de negociar, realizando reuniões meramente protocolares e desconsiderando os argumentos técnicos brasileiros.

Especialistas e diplomatas advertem que, caso o Brasil decida seguir com a Lei de Reciprocidade, que exige ritos como consultas públicas e análises de prazos, a reação precisa ser “muito bem calibrada”. O objetivo seria evitar que o setor produtivo sofra consequências ainda mais graves diante da aparente inflexibilidade norte-americana.

Texto por Suellen Godinho, com supervisão de Adrielle Brito.