Publicado em 9 de março de 2026 às 12:08
A edição deste ano do Big Brother Brasil (BBB) em dado o que falar, principalmente nas redes sociais. Um reality show em que pessoas com pensamentos, valores e culturas diferente dividem a mesma casa e lutam por um prêmio milionário, é comum ver grupos se formando por ideologias semelhantes e outros se digladiando por ideologias diferentes.>
Neste contexto, os ânimos exaltados na casa do BBB 26 têm levado alguns participantes a ultrapassar limites. Como por exemplo, a atriz, Solange Couto, que, vem de dias protagonizando falas problemáticas em conversas com outros colegas de confinamento. Sendo assim, quem antes era vista com admiração pela sua trajetória artística passou a enfrentar forte desgaste do lado de fora da casa.>
O primeiro comentário feito por Solange, que gerou indignação do público aconteceu no dia 25 de fevereiro, durante um desabafo com Babu após ter se irritado com um convite de Samira para um almoço. "Eu nasci do prazer, não nasci de estupr*, não. Quando a pessoa é infeliz assim, é porque deve ter nascido de uma trep*da mal dada", disparou. A declaração de Solange foi amplamente criticada pelo público que acompanha o programa, principalmente pelo tom e banalização de um tema que é tão delicado.>
RELEMBRE O MOMENTO DA FALA:>
Conforme os dados oficiais mais recentes divulgados pelo Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2024 e Ministério da Justiça, o Brasil registrou números recordes de violência sexual em 2024. Ao todo foram registrados mais de 87 mil casos de estupros, o que representa cerca de um estupro a cada 6 minutos, sendo as mulheres a esmagadora maioria das vítimas de estupro no país.>
Ainda no dia 25 de fevereiro, nem bem esfriou a polêmica com a fala sobre o estupro, outro comentário voltou a causar desconforto nos internautas, desta vez direcionada a Ana Paula. "Quando Deus não deu filhos a ela, é porque sabe que ela não teria capacidade de amar alguém, já que ela não gosta de gente", disse a atriz.>
Dados oficiais e pesquisas de saúde reprodutiva no Brasil indicam que a infertilidade é um desafio significativo no país, estima-se que a infertilidade acomete cerca de 8 milhões de pessoas no Brasil. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), uma em cada 6 pessoas no mundo (aproximadamente 17,5% da população adulta) sofre com fatores como a infertilidade, proporção similar no Brasil.>
Mas o que chama atenção nas falas de Solange é a ausência de reação imediata dos demais participantes que presenciam este tipo de discurso. Todas as vezes em que ela falou algo polêmico, não houve contestação ou qualquer tentativa de interromper o discurso dentro da casa, nem por parte dos participantes, tão pouco por parte da própria produção do programa, a qual tem sido alvo de críticas do público que acompanha o reality.>
Ainda na sequência de falas complexas e polêmicas, um novo comentário feito pela atriz causou indignação de quem está fora da casa. Ao colocar uma peruca, Solange afirmou que parecia um "travesti velho", o que levou a web a acusá-la de transfobia.>
O Brasil, pelo 17º ano consecutivo, figura como o país que mais mata pessoas trans e travestis no mundo, conforme a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA). Embora não haja dados oficiais unificados do governo federal sobre transfobia, 80 pessoas trans foram assassinadas até janeiro de 2026, conforme a ANTRA. Em 2024, esse número foi de 122 pessoas assassinadas no país.>
Diante das falas de Solange, o público passou a levantar questões sobre a atriz ter sido "hipócrita" em sua fala, uma vez que, a filha de Solange Couto, Morena Mariah teria sido vítima de violência sexual, por duas vezes, e exigiu um pronunciamento de Morena sobre as afirmativas da mãe, dentro da casa.>
Em seu perfil no Instagram, a pesquisadora afirma que o que foi dito pela atriz é "problemático", mas propôs aos seguidores que evitem os ataques à atriz para que ela "possa refletir quando deixar o confinamento" e emitiu um comunicado.>
"Tenho recebido ataques e tentativas de me expor a partir de uma violência que vivi. Não sou porta-voz de ninguém além de mim mesma. Conforme explicitado desde o início do programa, não administro nem trabalho na comunicação da minha mãe, e nunca estive à frente de seus perfis nas redes sociais. Há mais de 15 anos atuo na defesa dos Direitos Humanos, pauta racial e defesa de crianças e adolescentes. Trabalhei diretamente no sistema de garantia de direitos, no enfrentamento à violência sexual e construí uma trajetória sólida, sem desvios", escreveu.>
Morena continuou: "não me levantarei para atacar a minha mãe enquanto ela está confinada. Ela terá a oportunidade, quando sair, de refletir e se responsabilizar por suas falas, que reconheço como problemáticas e refletem, infelizmente, a estrutura machista e violenta à qual todas as mulheres estão submetidas, inclusive ela mesma. Fazer isso seria apenas alimentar ódio em troca de aplausos. Em minha trajetória como ativista e comunicadora, em casos de repercussão pública, atuei, opinei e me posicionei. Mas, neste momento, sou filha, sou familiar e meu papel é respeitar a mulher que me fez ser quem eu sou".>
Ainda na nota, a filha de Solange reforça: "preciso dizer com todas as letras que usar uma violência que aconteceu comigo como munição de ataque é violar meu direito como vítima e sobrevivente da violência sexual. Se estas pessoas dizem repudiar as violências contra as mulheres e rejeitar qualquer tentativa de ironizar ou diminuir a seriedade que essa pauta exige, então é ainda mais urgente respeitar as mulheres que sobreviveram e que, todos os dias, seguem sendo alvo de silenciamento, descrédito e desqualificação, como eu fui e ainda venho sendo".>
Segundo Morena, a imprensa e perfis nas redes sociais não estão autorizados a utilizarem sua história pessoal "sem responsabilidade, cuidado e sem qualquer compromisso com as causas às quais dediquei boa parte da minha vida". Ainda conforme a pesquisadora, embora ela e a mãe sejam pessoas públicas, ela "não deve explicações sobre sua história para satisfazer mera curiosidade ou torcida de um programa de entretenimento".>
E encerra sua nota dizendo o seguinte: "Não vou abandonar minha mãe, que foi mãe solo e é parte central da pessoa que eu me tornei, apenas para alimentar um ciclo de ódio desmedido nas redes sociais. A única coisa que exijo é o mínimo: respeito. Ataques, mentiras, imputações e assédio serão devidamente tratados no âmbito jurídico e qualquer ataque à minha filha será denunciado às autoridades competentes".>