Publicado em 4 de março de 2026 às 16:26
Entre os dias 5 e 8 de março, alunos do Curso Técnico em Dança Clássica da Escola de Teatro e Dança da UFPA (ETDUFPA) apresentam o espetáculo "Sagração da Floresta", no Teatro Universitário Cláudio Barradas, em Belém. A obra é um resultado acadêmico com foco na realidade amazônida, no sagrado feminino e no papel da arte no combate à crise climática.>
A peça é uma releitura contemporânea da obra de Stravinsky, onde os artistas transformam o palco em território de cura, memórias e resistência política através da poética do "Habitante-Criador".>
Em 1913, o mundo assistia ao impacto de A Sagração da Primavera, de Igor Stravinsky, onde o rito culminava no sacrifício de uma jovem. Mais de um século depois, nas terras da Amazônia paraense, essa narrativa ganha uma inversão profunda. Aqui, o sacrifício dá lugar à regeneração. A morte ritual é substituída pela escuta. O fim cede espaço à vida.>
O espetáculo "A Sagração da Floresta" surge como um manifesto cênico que celebra o sagrado feminino e a natureza como territórios indissociáveis de criação. O Corpo como território de memória>
Sob a direção das professoras doutoras Mayrla Andrade e Eleonora Leal.>
A obra não se limita à técnica do ballet contemporâneo, mas mergulha na pesquisa coreográfica das "bailarinas-pesquisadoras-intérpretes". O conceito central é a filosofia poética do Habitante-Criador, desenvolvida por Mayrla Andrade, que propõe um fazer artístico onde o corpo habita o espaço com consciência e cria a partir de suas histórias de vida.>
"A obra é um convite para mergulhar em um território poético onde corpo, memória e natureza não se separam", definem as diretoras.>
A dramaturgia é tecida por improvisações guiadas pelos elementos da natureza e diálogos com pensadores fundamentais. A influência de Ailton Krenak traz a visão da Terra como um organismo vivo, enquanto a poética de Paes Loureiro ancora o espetáculo no imaginário e no encantamento cotidiano do povo nortista.>
Estética Orgânica e Simbolismo>
O percurso sensorial do espetáculo é dividido por elementos simbólicos que conduzem o público:>
Água: Representando o fluxo e a memória.>
Terra: Símbolo de origem e pertencimento.>
Fauna e Flora: Revelando a interdependência vital.>
A encenação, com coordenação cenográfica de Iara Souza que tenta recriar no palco do TUCB a organicidade da natureza, criando um espaço onírico, trazendo sensações de contemplação da mata, trazendo um teto mas próximo do espectador com o ambiente da floresta. A equipe de cenografia promete surpreender no final trazendo o elemento da água como uma chuva real para que as bailarinas intérpretes realmente passem por um portal de cura pelas águas.>
O figurino/maquiagem da equipe de Micheline Penafort, aposta na caracterização de mulheres encantadas em um espaço vivo com Tecidos, máscaras, sementes e texturas orgânicas que permeia o imaginário cultural paraense nas representação da terra, água, fauna e flora, dialogando no palco com uma iluminação que simula os ciclos solares — dos azuis profundos às luzes douradas do amanhecer. A trilha sonora, por sua vez, traz um hibridismo da sagração da primavera abraçada por sons da natureza, respirações e pulsos corporais.>
A obra também é um gesto de resistência política mais do que uma apresentação acadêmica, "A Sagração da Floresta" afirma-se como um gesto político em tempos de crise ambiental.>
"Ao colocar história de vida de mulheres, jovens e crianças em cena para manifestar estados de existência — em vez de meros personagens — a obra culmina em um Manifesto das Habitantes-Criadoras. O espetáculo reafirma que o corpo é o primeiro território a ser defendido e que, como diz a própria concepção da obra: 'Dançar também é um modo de cuidar do mundo", explicou Mayrla Andrade.>
"Para esses artistas, a primavera não é uma estação do calendário, mas um estado de consciência de quem reconhece que é feito de terra e que, por isso, tem o poder de florescer", concluiu a doutora.>
Serviço "A Sagração da Floresta">
Dias: 5 a 8/03 - 19h>
Local: Teatro Universitário Cláudio Barradas- Rua Cônego Jerônimo Pimentel, nº 546 - Umarizal>
Entrada: R$20,00 (inteira), R$10,00 (meia) / alunos e servidores da ETDUFPA não pagam>
Inf: @sagracaodafloresta>