Publicado em 14 de fevereiro de 2026 às 14:19
Uma imagem registrada no Rio de Janeiro nesta semana reuniu duas trajetórias marcadas por resistência e pesquisa científica. A ex-ginasta Lais Souza esteve frente a frente com a bióloga Tatiana Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), responsável pelo desenvolvimento da polilaminina, proteína que vem sendo estudada como alternativa promissora no tratamento de lesões medulares graves.>
Tetraplégica desde 2014, após um acidente durante um treino de esqui nos Estados Unidos que resultou na fratura da vértebra C3, Lais acompanha há mais de uma década pesquisas relacionadas à regeneração neural. Desde então, a ex-atleta passou por cirurgias, protocolos terapêuticos e sessões intensivas de fisioterapia, sempre atenta às descobertas científicas ao redor do mundo, mas mantendo cautela quanto a expectativas.>
A visita à pesquisadora teve um significado especial. Nas redes sociais, Lais relatou que sentiu, pela primeira vez em anos, uma esperança concreta diante de um estudo nacional. Segundo ela, ao longo de 12 anos analisando publicações e ouvindo especialistas, nenhuma linha de pesquisa havia despertado a mesma sensação que teve ao conhecer de perto o trabalho conduzido no Brasil.>
A polilaminina, desenvolvida na UFRJ, atua na regeneração de fibras nervosas e tem como foco a recuperação de funções motoras comprometidas por lesões na medula espinhal. O projeto já avançou para a fase 1 de estudos clínicos, etapa inicial voltada à avaliação de segurança em humanos, autorizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Pesquisas nessa área costumam exigir anos de testes até que se comprove eficácia e segurança em larga escala.>
Campeã em competições nacionais e internacionais, com participações olímpicas e medalhas em Jogos Pan-Americanos, Lais afirmou que sempre esteve disposta a atravessar fronteiras em busca de tratamentos inovadores. Para ela, descobrir que uma das pesquisas mais animadoras surgiu em território brasileiro foi motivo de emoção e orgulho.>
Mesmo otimista, a ex-ginasta ressalta que acompanha cada atualização com prudência. Ela torce para que os resultados superem as expectativas atuais e que a terapia, se comprovada eficaz, possa beneficiar milhares de pessoas que convivem com limitações motoras decorrentes de lesões medulares. Em suas palavras, o desejo é estar viva para presenciar o impacto da descoberta, tanto em sua própria trajetória quanto na de futuras gerações.>
A repercussão do encontro mobilizou atletas, fãs e seguidores. A ginasta olímpica Jade Barbosa manifestou apoio público, assim como a ex-atleta Dani Souza, além de centenas de mensagens que reforçaram a corrente de esperança.>