Belém aposta em 'clima da Copa' para superar o Rio e sediar último jogo da Seleção antes do Mundial

Capital paraense enviou ofício à CBF e aposta no clima semelhante ao dos EUA para receber amistoso no Mangueirão.

Publicado em 23 de janeiro de 2026 às 11:03

Brasil jogou no Mangueirão em 2023 - 
Brasil jogou no Mangueirão em 2023 -  Crédito: Vítor Silva/CBF

Belém entrou oficialmente na disputa com o Rio de Janeiro para sediar o último jogo da seleção brasileira em casa antes da Copa do Mundo. A capital paraense encaminhou um ofício à Confederação Brasileira de Futebol (CBF) colocando-se como candidata a receber a partida, prevista para o fim de maio, como amistoso de despedida antes do embarque da equipe para o Mundial.

A ideia da comissão técnica é realizar dois amistosos preparatórios: um no Brasil e outro já nos Estados Unidos, país que receberá os jogos da seleção brasileira na primeira fase da Copa. Os adversários ainda não foram anunciados e devem ser definidos nos próximos dias, segundo a CBF. Para o duelo em solo brasileiro, a tendência é enfrentar uma seleção que não estará no Mundial, em um jogo de menor apelo técnico, mas com foco em aproximar jogadores e torcida na caminhada pelo hexacampeonato.

Na concorrência, o Rio de Janeiro aparece como forte candidato por conta do Maracanã e da logística. A seleção fará sua apresentação em Teresópolis, na Granja Comary, o que permitiria apenas uma viagem antes da ida aos Estados Unidos. Belém, por outro lado, aposta no fator climático como principal trunfo para convencer a entidade.

O sol intenso e a alta umidade da capital paraense são vistos como vantagens estratégicas. A expectativa é que a Copa do Mundo nos Estados Unidos tenha partidas disputadas sob temperaturas acima dos 30 °C e com forte umidade, cenário semelhante ao de Belém. Em 2014, a seleção foi criticada por treinar na Granja Comary, conhecida pelo clima mais ameno, distante das condições enfrentadas nos jogos do Mundial.

No documento enviado ao presidente da CBF, Samir Xaud, a Federação Paraense de Futebol (FPF) destaca que a “correspondência climática” pode oferecer ganhos técnicos à equipe. “Permite que a Seleção jogue seu último amistoso em ambiente térmico e fisiológico muito próximo ao que encontrará nos Estados Unidos, favorecendo a adaptação prévia ao calor e à umidade”, afirma o texto, que solicita a realização do jogo no estádio Mangueirão.

O ofício foi encaminhado no início do mês pela FPF, que afirma contar com o apoio do governador do Pará, Helder Barbalho (MDB). A entidade também se compromete a realizar investimentos para receber a seleção, incluindo a troca do gramado do Mangueirão para um modelo semelhante ao que será utilizado na Copa do Mundo.

A Federação Paraense ainda cita a realização da COP30, em novembro do ano passado, como prova da capacidade de Belém em sediar grandes eventos internacionais, além de relembrar a importância histórica dos amistosos de despedida. Em 2023, por exemplo, a seleção brasileira atuou no Mangueirão na goleada por 5 a 1 sobre a Bolívia, partida marcada pelo recorde de Neymar, que se tornou o maior artilheiro da história da seleção em jogos oficiais.

Com o argumento técnico, estrutural e simbólico, Belém espera convencer a CBF e repetir o protagonismo vivido recentemente, fortalecendo a conexão entre torcida e jogadores às vésperas da Copa do Mundo.