Brasil aparece fora do "Top 5" de favoritos para o Mundial e registra menor confiança da torcida em 30 anos

Com apenas 6% de chance de título segundo supercomputador, Seleção aposta na chegada de Carlo Ancelotti e em tabu histórico do ranking da FIFA para superar projeções matemáticas.

Publicado em 25 de abril de 2026 às 19:27

Brasil ocupa apenas a sexta posição no ranking de favoritos, com probabilidades de título estimadas entre 5,6% e 6,23%.
Brasil ocupa apenas a sexta posição no ranking de favoritos, com probabilidades de título estimadas entre 5,6% e 6,23%. Crédito: Alex Burstow/Arsenal FC/Getty Images

A Seleção Brasileira iniciará o ciclo final para a Copa do Mundo de 2026 enfrentando um cenário de ceticismo tanto nos algoritmos quanto nas arquibancadas. De acordo com o supercomputador da Opta Analyst, o Brasil ocupa apenas a sexta posição no ranking de favoritos, com probabilidades de título estimadas entre 5,6% e 6,23%. Essa projeção coloca o único pentacampeão mundial atrás de rivais como Espanha, França, Inglaterra, Argentina e Portugal.

A desconfiança matemática é acompanhada pelo sentimento da população. Segundo pesquisa do Datafolha, apenas 29% dos brasileiros acreditam na conquista do hexacampeonato em 2026, o índice mais baixo registrado nos últimos 30 anos. Esse distanciamento da torcida é atribuído ao desempenho irregular nas Eliminatórias, onde o Brasil chegou a registrar apenas 58% de aproveitamento e sofreu derrotas críticas para adversários como Uruguai, Colômbia e Argentina. Plataformas de Inteligência Artificial, como o Google Gemini e o Grok, também confirmam a distância do Brasil em relação ao topo, atribuindo à Seleção chances que variam de 5% a 5,6%, enquanto a Espanha lidera com até 19%.

Apesar dos números desfavoráveis da Opta, a Seleção Brasileira possui trunfos para reverter as expectativas. A chegada definitiva de Carlo Ancelotti em junho de 2025 é vista como o principal fator para a criação de uma identidade tática e estabilidade emocional. Além disso, um estudo acadêmico que utilizou regressão logística Bayesiana e modelos de gradient boosting apresentou uma visão mais otimista, listando o Brasil como o segundo maior competidor ao título, atrás apenas da Argentina.

Outro ponto que anima os analistas brasileiros é o "tabu do ranking da FIFA". Desde a criação do ranking em 1993, nenhuma seleção que chegou ao Mundial no topo da lista conseguiu ser campeã. Atualmente, a França lidera o ranking, enquanto o Brasil ocupa a sexta posição, o que, historicamente, pode ser um sinal positivo para quem corre por fora.

O mercado de apostas mantém o Brasil com cotações (odds) ao redor de 9,00, indicando uma probabilidade implícita de 10,5% de vitória. O que sustenta esses números, mesmo após um ciclo irregular, é o valor de mercado do elenco. Com jogadores de elite como Vinícius Júnior, Rodrygo e Alisson, o Brasil possui um dos grupos mais valiosos do mundo, fator que o mantém como um candidato perigoso em torneios de tiro curto.

A história também joga a favor: das oito Copas do Mundo realizadas nas Américas, sete foram vencidas por seleções sul-americanas, e o Brasil conquistou três desses títulos no continente. O desafio de Ancelotti será transformar esse talento individual e o peso da camisa em uma organização capaz de derrubar o atual favoritismo europeu.

Texto por Suellen Godinho, com supervisão de Cássio Leal.