Brasil supera favoritismo do Panamá e conquista ouro inédito nos Jogos Sul-Americanos da Juventude

Em final decidida nos minutos finais, seleção brasileira masculina vence anfitriões por 34 a 32; modalidade fará sua estreia oficial no programa olímpico em Los Angeles 2028.

Publicado em 20 de abril de 2026 às 17:33

Primeiro título da modalidade nos Jogos Sul-Americanos da Juventude.
Primeiro título da modalidade nos Jogos Sul-Americanos da Juventude. Crédito: Léo Barrilari/COB

A seleção brasileira masculina de flag football escreveu um capítulo histórico para o esporte nacional ao conquistar, no último domingo (19), o primeiro título da modalidade nos Jogos Sul-Americanos da Juventude. Em uma final emocionante disputada no Panamá, o Brasil derrotou os donos da casa, amplos favoritos ao título, pelo placar apertado de 34 a 32, garantindo a medalha de ouro inédita.

O feito é considerado uma superação, visto que o Brasil havia sido derrotado duas vezes pelo Panamá durante a fase classificatória do torneio. No entanto, na decisão, a equipe brasileira demonstrou maturidade e mudou sua postura, abrindo uma vantagem de 21 a 12 ainda no primeiro tempo após marcar três touchdowns. Apesar da pressão panamenha nos instantes finais, o time brasileiro conseguiu sustentar a liderança até o apito final.

A trajetória até o ouro incluiu vitórias expressivas sobre a Argentina (61 a 0, 56 a 14 e 43 a 0 na semifinal) e o Uruguai (59 a 0 e 54 a 0). Para o defensive back Pedro Barletta, a chave para a vitória na final foi a mudança psicológica do grupo. "Viemos querendo muito e ninguém ia querer mais que a gente. Entramos com sangue no olho, com a mentalidade focada no jogo e com certeza a nossa postura foi o diferencial", afirmou o atleta. O quarterback Pablo Ricardo Santiago também destacou a importância da conquista para a popularização do esporte. “Ganhar esta competição faz o flag ser conhecido por mais pessoas e queremos levar isso para o Brasil todo”, celebrou.

A conquista no Panamá é vista como um marco estratégico para o Comitê Olímpico do Brasil (COB) e para a Confederação de Flag Football, já que o esporte foi incluído no programa dos Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028. A presidente da confederação, Cristiane Kajiwara, ressaltou que o título reflete a evolução técnica do país frente a adversários com maior tradição, como os panamenhos, que possuem forte influência da cultura esportiva dos Estados Unidos.

Além do resultado imediato, a dirigente acredita que o ouro servirá de incentivo para a renovação da modalidade. "Essa vitória vai abrir muitas portas para que mais crianças queiram praticar. Os atletas voltam com experiência internacional, o que é fundamental para o desenvolvimento, principalmente das categorias de base", concluiu Kajiwara.

Texto por Suellen Godinho, com supervisão de Cássio Leal.