Clubes discutem fim do limite de jogos para transferências e criação de equipes B

Propostas ficaram para uma próxima reunião entre CBF e clubes e fazem parte das discussões sobre mudanças no futebol brasileiro.

Publicado em 23 de setembro de 2026 às 07:37

Clubes dicutem mudanças no Campeonato Brasileiro - 
Clubes dicutem mudanças no Campeonato Brasileiro -  Crédito: Samara Miranda/Remo

As mudanças no regulamento do futebol brasileiro ainda devem avançar em novas reuniões entre a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e os clubes. No encontro realizado nesta segunda-feira, no Rio de Janeiro, representantes das Séries A e B aprovaram alterações relacionadas ao limite de estrangeiros e à composição dos elencos, mas duas outras propostas ficaram para uma próxima discussão: o fim do limite de 12 jogos para transferências entre clubes da mesma competição e a criação de equipes B.

As ideias foram apresentadas por Guilherme Bellintani, proprietário da SAF do Londrina, que participou da reunião. Segundo o dirigente, os dois temas precisam de mais debate antes de serem colocados em votação.

Uma das propostas é eliminar a regra que atualmente impede um jogador de se transferir para outro clube do mesmo Campeonato Brasileiro depois de atingir determinado número de partidas. Em 2026, o limite está estabelecido em 12 jogos, após ter sido ampliado em relação às seis partidas permitidas anteriormente.

“Duas pautas ficaram para um próximo momento. A primeira delas é justamente acabar com o limite de número de jogos para transferência de jogador entre clubes no próprio Campeonato Brasileiro”, afirmou Bellintani.

Caso a mudança seja aprovada, um atleta poderia trocar de clube durante a competição mesmo depois de ultrapassar a marca atual de 12 partidas. A alteração ainda não foi votada e deverá voltar a ser discutida pelos clubes em um dos próximos encontros com a CBF.

Na reunião desta segunda-feira, outras mudanças foram aprovadas para as próximas temporadas. Entre elas está a redução gradual do número máximo de jogadores estrangeiros relacionados por partida. O limite, que atualmente é de nove, passará para oito em 2027 e será reduzido progressivamente até chegar a cinco em 2030.

Também foi mantido o limite de 50 jogadores inscritos no Campeonato Brasileiro, mas a composição das listas passará por mudanças. A partir de 2027, serão 30 vagas na Lista A e 20 na Lista B. A divisão será modificada gradualmente até chegar a 25 atletas em cada relação em 2030.

Para Bellintani, as alterações precisam ser acompanhadas de uma discussão mais ampla sobre formação de jogadores e funcionamento do mercado brasileiro.

“É muito importante que essas decisões sejam pensadas também para o médio e longo prazo. A gente precisa olhar para a formação, para o espaço dos jovens e para a dinâmica das competições”, declarou.

A segunda proposta apresentada pelo dirigente é a possibilidade de clubes brasileiros criarem equipes B para disputar competições oficiais. O modelo já é utilizado por clubes europeus, como Barcelona, Benfica e Porto, e poderia ser adaptado ao futebol nacional.

“A nossa proposta é que os clubes pudessem, assim como já há em outras ligas europeias, ter um ‘clube B’. Que os clubes de Série A, Série B, Série C, qualquer que seja, possam ter um ‘clube B’ para disputar competições e assim dar espaço para jovens também jogarem”, explicou.

A ideia ainda não possui um formato definido. Caso avance, será necessário discutir quais competições poderiam receber essas equipes, critérios de participação, regras de acesso e eventual relação entre os times B e as equipes principais.

Segundo Bellintani, a criação de uma segunda equipe profissional poderia funcionar como uma etapa intermediária para jogadores que deixam as categorias de base, mas ainda não estão preparados para atuar regularmente no time principal. Dessa forma, os atletas poderiam ganhar experiência em competições oficiais sem interromper o processo de desenvolvimento.

“A gente teria uma formação de atletas no médio prazo muito mais consolidada aqui no Brasil”, afirmou o dirigente.

A proposta surge em meio à discussão da CBF sobre a participação de jogadores sub-23 no futebol brasileiro. A entidade apresentou aos clubes um diagnóstico que aponta redução do espaço destinado a atletas mais jovens nos últimos anos, cenário associado, entre outros fatores, ao aumento da presença de estrangeiros e de jogadores mais experientes nos elencos.

As duas propostas apresentadas por Bellintani, portanto, ainda dependem de novos debates antes de qualquer decisão. A expectativa é que o fim do limite de jogos para transferências e a criação das equipes B voltem à pauta nas próximas reuniões entre CBF e clubes.