Corinthians demite Marcelo Paz em meio à crise

Pressão da torcida, desgaste com jogadores e divergências financeiras pesaram na saída do executivo.

Publicado em 21 de outubro de 2026 às 10:03

Marcelo Paz é executivo de futebol no Corinthians há quase dez meses
Marcelo Paz é executivo de futebol no Corinthians há quase dez meses Crédito: Rodrigo Coca/Corinthians

O Corinthians anunciou, na noite de terça-feira (20), a saída de Marcelo Paz do cargo de executivo de futebol. A decisão aconteceu em meio à crise esportiva do clube paulista e foi acompanhada por relatos de bastidores que apontam conflitos internos, pressão das torcidas organizadas e divergências com a diretoria sobre a condução do departamento de futebol. Apesar de o comunicado oficial mencionar um acordo entre as partes, reportagens publicadas nesta quarta-feira (21) indicam que o presidente Osmar Stabile decidiu encerrar o vínculo com o dirigente.

Em nota, o Corinthians agradeceu os serviços prestados por Marcelo Paz e desejou sucesso ao profissional na sequência da carreira. O clube, entretanto, não detalhou os motivos da saída nem anunciou imediatamente quem assumirá as funções do executivo.

Pressão da torcida acelerou a saída

De acordo com informações de bastidores, a pressão das torcidas organizadas foi um dos fatores determinantes para o desligamento. Na semana anterior, representantes da Gaviões da Fiel se reuniram com Osmar Stabile e cobraram mudanças na gestão do futebol, incluindo a saída de Marcelo Paz.

A insatisfação aumentou em meio à sequência de resultados negativos do Corinthians no Campeonato Brasileiro. O clube chegou a nove partidas consecutivas sem vencer na competição, situação que ampliou a preocupação com o risco de rebaixamento. O empate por 1 a 1 com o Vitória, na segunda-feira (19), interrompeu uma sequência de derrotas, mas não encerrou a série sem triunfos.

Segundo o UOL, a exposição provocada pela cobrança das organizadas também incomodou Marcelo Paz. O dirigente teria marcado uma reunião com o presidente para expor suas insatisfações, mas o encontro terminou com a decisão de encerrar o trabalho no clube.

Divergências financeiras e desgaste com o elenco

Outro ponto revelado pelas reportagens envolve a relação de Marcelo Paz com parte dos jogadores e os problemas financeiros do Corinthians. Conforme apurações, alguns atletas consideravam que o executivo não adotava uma postura suficientemente firme para defender os interesses do elenco diante da presidência, especialmente em meio a atrasos de pagamentos e pendências relacionadas aos direitos de imagem.

O UOL também relatou divergências entre Paz e integrantes do departamento financeiro sobre a prioridade dos pagamentos e a condução de negociações para reforçar o elenco. Segundo o portal, o executivo voltou a questionar atrasos nos direitos de imagem dos jogadores em uma conversa com Stabile antes da reunião que definiu sua saída.

Esses relatos são atribuídos às fontes ouvidas pelos veículos e não foram detalhados pelo Corinthians em seu comunicado oficial.

Escolha de Seedorf também gerou questionamentos

A contratação de Clarence Seedorf para comandar a equipe foi outro tema que provocou divergências nos bastidores. Segundo informações divulgadas, a escolha do treinador holandês ocorreu depois de recusas de outros nomes e dividiu opiniões dentro do clube.

Marcelo Paz assumiu a responsabilidade pela decisão, com aval de Osmar Stabile. A aposta, porém, veio em um momento delicado, com o Corinthians pressionado pelos resultados e pela necessidade de se afastar da parte inferior da tabela.

A condução da renovação do contrato de Memphis Depay também foi citada entre os episódios que desgastaram o trabalho do executivo. A combinação de decisões esportivas contestadas e problemas extracampo contribuiu para o aumento da pressão sobre a gestão do futebol.

Números e legado no Corinthians

Marcelo Paz chegou ao Corinthians para substituir Fabinho Soldado e trabalhar na reorganização do departamento de futebol em um cenário de restrições financeiras. Durante sua passagem, o clube conquistou a Supercopa Rei, mas também enfrentou dificuldades para contratar jogadores em razão de impedimentos de registro conhecidos como ‘transfer bans’.

Segundo o balanço publicado, o executivo deixa o clube após 56 partidas da equipe sob sua gestão, com 20 vitórias, 16 empates e 20 derrotas. Ao longo do período, trabalhou com os treinadores Dorival Júnior, Fernando Diniz e Clarence Seedorf.

A saída ocorre em um momento decisivo do Campeonato Brasileiro, enquanto o Corinthians tenta afastar o risco de rebaixamento. O clube ainda não confirmou se contratará outro executivo de futebol imediatamente ou se distribuirá as funções entre profissionais que já integram o departamento.

Texto por Pedro Moraes.