Publicado em 30 de julho de 2026 às 12:20
- Atualizado há 28 minutos
A transição da carreira esportiva para a vida pública tem se tornado um caminho recorrente entre jogadores de futebol no Brasil. No Pará, especialmente em Belém, ex-atletas que marcaram época em clubes tradicionais como Remo e Paysandu também tentam transformar a visibilidade conquistada nos gramados em capital político.>
Levantamentos baseados em dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Tribunal Regional Eleitoral do Pará (TRE-PA) indicam que a maioria dessas candidaturas se concentra em disputas para o Legislativo municipal, principalmente para o cargo de vereador.>
Entre os nomes mais conhecidos está Robgol (José Róbson do Nascimento), considerado um dos maiores ídolos da história do Paysandu. O ex-jogador foi eleito deputado estadual pelo PTB em 2006, com mais de 21 mil votos. Permaneceu no cargo até 2010, mas não voltou a exercer mandatos políticos expressivos nos anos seguintes.>
Outro destaque é Vandick Lima (PP), herói da conquista da Copa dos Campeões de 2002 pelo Paysandu. Ele ingressou na política e exerceu três mandatos como vereador de Belém pelo Partido Progressista, sendo eleito em 2004 e reeleito em 2008 e 2012. Em 2016, já por outra legenda, não conseguiu a reeleição. Voltou a disputar o cargo em 2020, novamente sem sucesso.>
Outro caso relevante é o do ex-goleiro e ídolo do Remo Vinícius (REPUBLICANOS), eleito vereador de Belém em 2020 com mais de sete mil votos. Ele foi o 12º candidato mais votado do pleito na capital e chamou atenção por conciliar, durante parte do período, a carreira de atleta profissional com o mandato político, além de ter se tornado o único jogador profissional em atividade nas quatro principais divisões do futebol brasileiro a conseguir uma vaga no legislativo de Belém no mesmo ano.>
Outros ex-jogadores também buscaram espaço na política local. Mesquita (PSD), com passagens por Remo e Paysandu, foi vereador em Belém entre 1982 e 1986, com mandato prorrogado até 1988. Atualmente, atua como agrônomo no estádio Mangueirão.>
Já o ex-meia Eduardo Ramos, com passagens marcantes por Remo e Paysandu, chegou a ensaiar entrada na política, com tentativa de candidatura a vereador em Belém, mas sem sucesso. O ex-atacante Zé Augusto (PSD) , ídolo bicolor e considerado o maior artilheiro do Paysandu no século XXI, com 90 gols, concorreu a deputado federal pelo Podemos nas eleições de 2022, obtendo 6.336 votos, número insuficiente para a eleição. Outro nome que tentou ingressar na política foi Agnaldo de Jesus, conhecido como “Agnaldo Seu Boneco”. Ex-jogador e ídolo do Clube do Remo, ele concorreu ao cargo de vereador em Belém e conquistou posição de suplente, com pouco mais de 4 mil votos. Após a eleição, seguiu atuando nos bastidores do futebol, em funções técnicas.>
Há ainda casos de candidaturas sem sucesso, como o ex-Volante Vanderson (PRD), que jogou pelo Paysandu, sendo campeão da copa dos campeões com o clube, tentou vaga como Vereador em Castanhal, mas não alcançou votação suficiente, se tornando suplente com 194 votos nas eleições de 2024.>
Novo nome no cenário político>
O movimento de atletas rumo à política segue ativo e já projeta novos nomes para as próximas eleições. O caso mais recente e que chamou a atenção foi o do goleiro azulino Marcelo Rangel (MDB), atualmente um dos destaques do Clube do Remo e eleito melhor goleiro do Campeonato Paraense de 2025.>
De acordo com informações divulgadas pela imprensa, o atleta se filiou ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB), partido que deve definir seus candidatos nas eleições de 2026.>
A filiação ocorre em meio a articulações internas do partido, e Marcelo Rangel é apontado como possível candidato a deputado estadual no próximo pleito. Embora a candidatura ainda dependa de confirmação nas convenções partidárias, o nome do jogador já circula nos bastidores políticos como uma aposta para converter sua popularidade esportiva em votos.>
Caso a candidatura se concretize, ele seguirá uma tendência já observada no estado: a de atletas em atividade ou recém-aposentados que buscam espaço na política.>
Popularidade nem sempre vira voto>
De acordo com especialistas ouvidos por veículos regionais, o desempenho eleitoral desses candidatos depende de fatores que vão além da fama no futebol, como estrutura partidária, articulação política e identificação com pautas locais. Embora a popularidade junto às torcidas seja um diferencial, ela nem sempre se traduz diretamente em votos.>
O fenômeno reflete uma tendência nacional, em que ex-atletas buscam prolongar a relevância pública após o fim da carreira esportiva. No Pará, essa movimentação evidencia a forte conexão entre futebol e sociedade, especialmente em cidades como Belém, onde o esporte exerce grande influência cultural.>
Texto por Pedro Moraes, com as supervisões de Danielle Zuquim e Alexandre Alencar.>