Publicado em 25 de agosto de 2026 às 18:18
Nesta terça-feira (25), um estudo publicado na revista científica BMJ apontou que pelo menos um em cada quatro ex-jogadores da NFL que morreram entre 2016 e 2021 tinha encefalopatia traumática crônica (CTE). A doença está associada a impactos repetidos na cabeça e só pode ser confirmada por meio da análise do cérebro após a morte.>
A pesquisa foi realizada por especialistas do Mass General Brigham, da Universidade de Boston e da Fundação Concussão & CTE. Para chegar a uma estimativa mais próxima da realidade, os pesquisadores compararam os registros de mortes de ex-jogadores da liga com os resultados de exames realizados em cérebros doados para pesquisas.>
No período analisado, 878 ex-atletas da NFL morreram. Desse total, 235 tiveram o cérebro doado para estudos científicos. Entre eles, 215 apresentaram sinais de CTE, o equivalente a cerca de 91% dos cérebros examinados. Como a doação não ocorre entre todos os jogadores que morrem, os pesquisadores usaram os dados para estimar a frequência da doença no grupo como um todo.>
A CTE é uma doença neurodegenerativa relacionada a impactos repetitivos na cabeça. Entre os possíveis sintomas estão perda de memória, alterações de comportamento, dificuldade para controlar impulsos, ansiedade, depressão e problemas relacionados à raiva. No cérebro, a doença é caracterizada pelo acúmulo anormal da proteína tau.>
Impactos começam antes da NFL>
Segundo Daniel Daneshvar, principal autor do estudo e professor da Harvard Medical School, os riscos não estão restritos ao período em que os atletas atuam profissionalmente. Muitos dos impactos acumulados ao longo da carreira acontecem ainda nas categorias de base, no ensino médio e no futebol universitário.>
O pesquisador destacou que estudos anteriores já apontaram uma taxa de mortalidade por doenças neurodegenerativas cerca de quatro vezes maior entre jogadores da NFL do que na população em geral. Para ele, reduzir os impactos repetitivos na cabeça desde os primeiros níveis de formação poderia diminuir os riscos no futuro.>
O estudo também identificou uma frequência elevada de demência entre os doadores analisados. Os pesquisadores defendem, por isso, medidas de prevenção que reduzam a quantidade de impactos na cabeça em todas as etapas do esporte, e não apenas na NFL.>
A liga informou que trabalha para tornar o futebol americano mais seguro e afirmou ter adotado medidas para reduzir concussões e impactos na cabeça. A NFL também disse que oferece recursos para auxiliar jogadores atuais e aposentados em questões relacionadas à saúde física e mental.>
Entre as medidas já adotadas estão restrições ao número de treinamentos com contato físico. O acordo coletivo firmado em 2020, que atualmente regulamenta as relações trabalhistas da NFL, permanece em vigor até março de 2031.>
Para Daneshvar, ampliar medidas semelhantes para o futebol universitário, escolar e juvenil poderia reduzir de maneira significativa a exposição dos atletas a impactos repetitivos ao longo da vida.>