Ex-Flamengo vendia diploma falso de técnico a astros do futebol brasileiro

Investigação revela que Alejandro Mancuso cobrava cerca de R$ 100 mil por licenças falsificadas da Argentina.

Publicado em 7 de outubro de 2026 às 09:36

Ex-Flamengo vendia diploma falso de técnico a astros do futebol brasileiro
Ex-Flamengo vendia diploma falso de técnico a astros do futebol brasileiro Crédito: Reprodução

O sonho de migrar dos gramados para a beirada do campo custou caro e gerou muita dor de cabeça para um grupo de ex-estrelas do futebol brasileiro e sul-americano. Uma investigação detalhada revelou que nomes de peso como Thiago Silva, Roberto Carlos, Felipe Melo, Alex de Souza, Diego Lugano, Dejan Petkovic, Paulinho, Luiz Gustavo, Paolo Guerrero e Roberto Assis adquiriram diplomas de técnico comercializados de forma irregular pelo ex-jogador argentino Alejandro Mancuso, ex-auxiliar de Diego Maradona na seleção de seu país.

A fraude funcionava sob a promessa de um "trâmite urgente". Mancuso se apresentava como diretor internacional da Associação de Técnicos de Futebol Argentino (ATFA) e convencia os atletas de que, por causa de suas carreiras de alto nível, eles poderiam ser dispensados dos cursos regulares da entidade, que exigem anos de formação progressiva. Mediante pagamentos que giravam em torno de R$ 100 mil, os ex-jogadores recebiam pacotes com quatro licenças (das categorias C à PRO) e até carteirinhas profissionais enviadas diretamente pelo correio em poucos dias.

A rede de contatos e os bastidores do esquema vieram à tona após apuração jornalística baseada em áudios, mensagens e documentos. Cada atleta lidou com a situação de uma forma diferente ao perceber as irregularidades. Enquanto alguns, como Thiago Silva e Alex de Souza, afirmam que nunca utilizaram os papéis sendo que o certificado de Alex chegou a trazer o erro grosseiro de estampar "futsal" em vez de futebol, outros tentaram reaver o dinheiro ou cobrar explicações.

Felipe Melo, por exemplo, desconfiou ao não conseguir marcar as aulas presenciais, conseguiu desfazer o negócio e recuperou a quantia paga. Já nomes como Luiz Gustavo e Paulinho relataram terem acreditado que se tratava de um processo legal de homologação de suas vivências no esporte.

Procurada, a ATFA foi categórica ao negar qualquer vínculo com a atuação de Mancuso. Em nota oficial, a entidade máxima dos treinadores argentinos afirmou que ele nunca integrou a diretoria, não possui cargo de autoridade e não tem autorização para emitir ou negociar documentos em seu nome. A instituição também destacou que os papéis entregues aos brasileiros são falsos e não correspondem aos registros oficiais da escola.

O caso também movimentou a esfera judicial. A Polícia Federal da Argentina chegou a realizar buscas na sede da ATFA em 2025 para apurar a suposta emissão irregular de licenças para estrangeiros. No entanto, como nenhuma prova material foi encontrada dentro da instituição, o Ministério Público Fiscal pediu o encerramento do caso, e a Justiça Federal Criminal e Correcional arquivou o processo em dezembro de 2025 por inexistência de crime.

Por sua vez, Alejandro Mancuso negou ter vendido diplomas ou recebido valores dos atletas, sustentando que apenas prestava orientações e que os jogadores deveriam tratar diretamente com a federação.