Marca própria do Paysandu completa 10 anos

Ao longo dos últimos anos, a operação se transformou na principal fonte de receita comercial do clube, de acordo com o Papão

Publicado em 8 de janeiro de 2026 às 15:14

A Lobo é um ativo estratégico do Paysandu
A Lobo é um ativo estratégico do Paysandu Crédito: Divulgação / Paysandu

A Lobo, fornecedora de material esportivo criada pelo Paysandu Sport Club, completa uma década de existência. Ao longo dos últimos anos, a operação se transformou na principal fonte de receita comercial do clube, de acordo com o Papão, contribuindo para a redução da dependência de resultados esportivos.

O projeto nasceu em 2016, durante a gestão do então presidente Alberto Maia, a partir da decisão estratégica de romper com o modelo tradicional de fornecimento esportivo. A proposta era clara: fortalecer a identidade institucional do Paysandu, aproximar o clube de sua torcida e criar uma estrutura própria de geração de receitas. A Lobo foi oficialmente lançada em fevereiro daquele ano.

A resposta do mercado foi imediata. Já nos primeiros meses, os valores arrecadados com a nova marca se aproximaram do que o clube recebia em um ano inteiro com a antiga fornecedora. A liberdade criativa permitiu o desenvolvimento de coleções conectadas à história, aos símbolos e à cultura bicolor, ampliando o engajamento da torcida.

Ainda em 2016, a expansão ganhou força com a abertura de novas lojas e ações de grande impacto, como o lançamento do uniforme da temporada seguinte, que reuniu cerca de 10 mil torcedores em um dos principais espaços de eventos da Região Metropolitana de Belém. Paralelamente, os produtos passaram a incorporar tecnologias têxteis e padrões industriais utilizados por grandes marcas internacionais.

Entre 2017 e 2019, a Lobo registrou crescimento consistente em faturamento e diversificação de produtos, tornando-se referência e influenciando outros clubes a adotarem modelos semelhantes. O avanço, no entanto, também evidenciou os desafios de operar uma cadeia completa dentro de um clube de futebol, envolvendo estoque, logística, fornecedores e operações B2B.

Diante desse cenário, a gestão de Ricardo Gluck Paul optou, em 2019, por uma mudança estrutural: a profissionalização da marca e a separação definitiva entre a operação comercial e o caixa do clube. O novo formato entrou em vigor em 2020, já sob o impacto da pandemia.

Desde então, o Paysandu passou a receber os valores exclusivamente por meio de royalties e fundos vinculados, transferindo riscos operacionais, custos de produção, tributos e folha de pagamento aos parceiros. O modelo eliminou o chamado “caixa cruzado” e trouxe maior previsibilidade financeira.

Com investimentos superiores a R$ 5 milhões, a Lobo expandiu sua presença por meio do sistema de franquias. O número de lojas triplicou, todas operando com padrões unificados de gestão, layout e processos. A atuação integrada em canais B2B e B2C fortaleceu ainda mais a marca.

Entre 2022 e 2024, a Lobo gerou R$ 11,21 milhões em receitas diretas ao Paysandu, tornando-se o maior patrocinador do clube no período. No mesmo intervalo, o segundo maior parceiro comercial injetou R$ 7,33 milhões. Em 2024, somente com royalties e fundos vinculados, o clube recebeu cerca de R$ 4,2 milhões.

Os números evidenciam a evolução do modelo. Entre 2016 e 2019, quando a operação era interna, o resultado acumulado foi de R$ 8,13 milhões, com média anual de R$ 2,03 milhões. Já entre 2020 e 2024, sob gestão profissionalizada, o total chegou a R$ 16,11 milhões, elevando a média anual para R$ 3,22 milhões — desempenho ainda maior quando desconsiderado o ano pandêmico.