Marrocos perde título africano em final caótica e vive noite de frustração em Rabat

Pênalti desperdiçado por Brahim Díaz nos acréscimos e decisões polêmicas da arbitragem marcam derrota para Senegal na Copa Africana de Nações.

Publicado em 19 de janeiro de 2026 às 07:31

Brahim Díaz perdeu pênalti nos minutos finais - 
Brahim Díaz perdeu pênalti nos minutos finais -  Crédito: Redes sociais

A festa estava preparada em Rabat para uma noite histórica. Diante de sua torcida, o Marrocos tinha a chance de vencer Senegal e voltar a conquistar a Copa Africana de Nações após 50 anos, consolidando o status de principal potência do futebol africano, reforçado pela campanha inédita até a semifinal da Copa do Mundo de 2022, no Catar.

O roteiro, porém, tomou um rumo completamente diferente. Em uma final marcada pelo caos, por decisões controversas da arbitragem e até pela ameaça de abandono de campo por parte da seleção senegalesa, os marroquinos viram o sonho do título ruir de forma traumática. Nos acréscimos, Brahim Díaz desperdiçou um pênalti decisivo — daqueles que ficam eternamente marcados na memória do torcedor — e transformou a expectativa de celebração em revolta e incredulidade.

A derrota gera dúvidas não apenas pelo peso simbólico de perder uma final em casa, mas também pelo impacto esportivo às vésperas da Copa do Mundo. O Marrocos estreia no Mundial daqui a cinco meses, justamente contra o Brasil, no dia 13 de junho, na abertura do Grupo C, em Nova Jersey. O temor é que um título perdido de maneira tão surreal deixe marcas no psicológico da equipe.

A pressão ficou evidente já na entrevista coletiva pós-jogo. Walid Regragui, técnico exaltado pela histórica campanha no Catar, foi surpreendido por um jornalista marroquino que perguntou se ele deixaria o cargo. A pergunta, que ficou sem resposta, escancarou o tamanho da frustração local e dificilmente será esquecida, mesmo com o calor do momento.

No centro da tragédia esportiva está Brahim Díaz. O atacante do Real Madrid vinha fazendo uma Copa Africana impecável. Aos 26 anos, nascido em Málaga, ele optou em 2024 por defender o Marrocos, país de seu pai, abrindo mão da seleção espanhola. Camisa 10 técnico e decisivo, parecia a peça que faltava para elevar ainda mais o nível da equipe.

Díaz foi artilheiro do torneio, com cinco gols marcados — um em cada partida da estreia até as quartas de final. Ainda assim, o lance que marcará sua passagem pela competição foi justamente o que ele não conseguiu concluir: o pênalti desperdiçado que poderia ter garantido o título. O atacante não resistiu emocionalmente ao momento, recebeu uma bronca pública de Regragui ao fim do tempo normal, foi substituído logo no início da prorrogação e recebeu o troféu de artilheiro chorando, no palco montado para uma festa que nunca aconteceu.