Publicado em 17 de março de 2026 às 16:25
A presidente do México, Claudia Sheinbaum, afirmou nesta terça-feira (17) que o país não teria problemas em sediar as partidas da seleção do Irã durante a Copa do Mundo de 2026. A declaração surge como uma resposta ao pedido da federação de futebol do Irã à FIFA para transferir seus jogos, originalmente previstos para os Estados Unidos, para o território mexicano.>
A solicitação iraniana é fundamentada em graves preocupações com a segurança de seus jogadores. O clima de hostilidade intensificou-se após o início de um conflito no Oriente Médio, marcado por uma campanha conjunta entre EUA e Israel contra o Irã. Recentemente, ataques americanos em território iraniano resultaram na morte do líder supremo Ali Khamenei, o que elevou a tensão diplomática ao nível máximo.>
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, alimentou o debate na última semana ao declarar em sua rede social, Truth Social, que, embora o Irã fosse "bem-vindo" ao torneio, ele não acredita ser apropriado que a seleção esteja lá "para a própria vida e segurança deles". Diante da declaração de que Washington não poderia garantir a integridade física da delegação, a embaixada iraniana no México reforçou que a equipe não viajará para os Estados Unidos e que as negociações com a FIFA estão em curso.>
Internamente, o governo iraniano enfrenta divergências sobre a participação no torneio. Enquanto o ministro dos Esportes do Irã defende que a seleção sequer deveria disputar a Copa em um país responsável pela morte do líder da nação, a federação de futebol do país sustenta que ninguém pode impedir a equipe de participar da competição.>
A crise no futebol iraniano não se restringe à geopolítica masculina. Recentemente, sete jogadoras da seleção feminina pediram asilo na Austrália após sofrerem ataques do governo de Teerã por não cantarem o hino nacional durante a Copa da Ásia, evidenciando o momento de profunda instabilidade interna e externa que atravessa o esporte no país.>
A Copa do Mundo de 2026 será sediada em conjunto por Estados Unidos, México e Canadá, mas a possível realocação dos jogos do Irã depende agora de um aval oficial da FIFA.>
Texto por Suellen Godinho, com supervisão de Cássio Leal.>