Paysandu completa 112 anos e celebra história vitoriosa no futebol brasileiro

Fundado em 2 de fevereiro de 1914, Papão da Curuzu é o maior campeão da Amazônia, dono de feitos históricos como a Copa dos Campeões de 2002 e a inédita participação na Libertadores.

Publicado em 2 de fevereiro de 2026 às 07:43

Papão comemora 112 anos de história - 
Papão comemora 112 anos de história -  Crédito: Jorge Luís Totti/Paysandu

O Paysandu Sport Club comemora, nesta segunda-feira (2), 112 anos de uma trajetória marcada por títulos, conquistas históricas e forte identificação com a torcida bicolor. Fundado em 2 de fevereiro de 1914, em Belém, o clube se consolidou ao longo de mais de um século como o maior campeão do futebol paraense e o principal representante da Região Norte no cenário nacional e internacional.

O nome Paysandu tem origem histórica fora do Brasil. Ele faz referência à cidade uruguaia de Paysandú, palco da chamada “Tomada de Paysandu”, ocorrida em 2 de janeiro de 1865. O episódio envolveu tropas brasileiras comandadas pelo general Mena Barreto e pelo almirante Tamandaré, em meio a conflitos internos do Uruguai entre os partidos Blanco e Colorado, sem relação direta com a Guerra do Paraguai. A escolha do nome reforça o simbolismo de bravura e resistência que passou a acompanhar o clube ao longo de sua história.

Um dos maiores orgulhos da torcida bicolor está no escudo do clube. O símbolo atual traz três estrelas: duas prateadas, que representam os títulos do Campeonato Brasileiro das Séries B de 1991 e 2001, e uma dourada, no centro, referente à conquista da Copa dos Campeões de 2002. Também presente no escudo, o tradicional pé alado simboliza a velocidade do time, que, segundo a concepção original, jamais seria igualada ou superada pelos adversários.

O mascote do Paysandu também carrega história. Criado em 1948 pelo jornalista Everardo Guilhon, o “Lobo Mau” surgiu inicialmente com o codinome de “bicho-papão”, em alusão ao medo que o Esquadrão de Aço despertava nos rivais. Com o passar do tempo, o personagem foi modernizado e passou a ser conhecido como “Papão da Curuzu”, tornando-se presença constante nos jogos, eventos e ações junto à torcida, seja na Curuzu, no Mangueirão ou em outras atividades do clube.

Entre as maiores conquistas da história bicolor está a Copa dos Campeões de 2002, torneio do qual o Paysandu é o último e eterno campeão. O clube garantiu vaga após conquistar a Copa Norte e disputou o Grupo A ao lado de Náutico, Corinthians e Fluminense, com a vantagem de jogar todas as partidas no Mangueirão, então recém-reformado e com capacidade para cerca de 45 mil torcedores. Na final, disputada no Castelão, o Papão venceu o Cruzeiro nos pênaltis e levantou o maior troféu de sua história.

A conquista abriu caminho para outro feito inédito: o Paysandu se tornou o único clube da Região Norte a disputar a Copa Libertadores da América, em 2003. Na fase de grupos, enfrentou Cerro Porteño, Sporting Cristal e Universidad Católica, encerrando a etapa inicial na liderança, com 14 pontos em seis jogos. Nas oitavas de final, o Papão venceu o Boca Juniors por 1 a 0, na Argentina. No jogo de volta, mesmo em meio a uma greve de ônibus, a torcida lotou o Mangueirão, mas a equipe acabou eliminada após derrota por 4 a 2.

No futebol estadual, o domínio também é absoluto. O Paysandu é o maior campeão do Campeonato Paraense, com 50 títulos conquistados, além de ser o maior detentor de taças da Amazônia, somando 58 conquistas oficiais. O clube também se destaca na Copa Verde, da qual é o maior campeão, com cinco títulos levantados nos anos de 2016, 2018, 2022, 2024 e 2025.

A história do Papão é marcada ainda por capítulos emblemáticos, como a maior goleada do clássico Re-Pa. Em 22 de julho de 1945, o Paysandu venceu o rival por 7 a 0, dentro do estádio Baenão, resultado que permanece como o mais elástico da história do confronto. Curiosamente, o clube também passou por mudanças logo no início de sua existência: apenas 17 dias após a fundação, deixou de se chamar Paysandu Foot-ball Club para adotar o nome Paysandu Sport Club.

Entre os grandes nomes que vestiram a camisa bicolor, alguns recordes permanecem vivos na memória da torcida. Yago Pikachu é o defensor com mais gols na história do clube, com 62 gols marcados em 213 partidas. Já o atleta que mais atuou pelo Paysandu é o meia-esquerda Quarentinha, que defendeu o clube entre 1955 e 1973, somando impressionantes 750 jogos.

Aos 112 anos, o Paysandu Sport Club segue como um dos símbolos mais fortes do futebol brasileiro fora do eixo Sul-Sudeste, carregando tradição, conquistas e uma torcida apaixonada que mantém viva a história do Papão da Curuzu.