Publicado em 31 de julho de 2026 às 13:55
A União das Federações Europeias de Futebol (Uefa) anunciou nesta quinta-feira (30) que as suas 55 associações-membro boicotarão todos os torneios organizados pela Fifa enquanto a proposta de venda de ações das competições para investidores permanecer em pauta. A medida coloca em risco direto a participação das seleções da Europa na Copa do Mundo Feminina de 2027, que está prevista para ocorrer em território brasileiro. O posicionamento foi formalizado em um documento divulgado após uma reunião de emergência, exigindo que a federação internacional abandone totalmente o projeto de gestão privada antes de qualquer retomada de participação.>
A crise foi desencadeada por uma proposta da Fifa para a criação da "Fifa Forward Enterprise" (FFE), uma subsidiária que consolidaria operações comerciais e abriria espaço para acionistas minoritários privados, em um modelo comparado a uma "SAF". A entidade máxima do futebol avalia essa nova empresa em US$ 20 bilhões e pretende arrecadar cerca de US$ 4,2 bilhões com a venda de ações.>
O presidente da Fifa, Gianni Infantino, sustenta que a medida aumentaria significativamente o repasse financeiro para as federações nacionais filiadas, mas a Uefa rebateu duramente, afirmando que o modelo transformaria a Copa do Mundo em um simples "produto de investimento".>
Em nota oficial, a confederação europeia classificou a condução do processo como irresponsável e uma "profunda falha de liderança", alegando que o plano foi concebido em segredo sem consultas adequadas aos responsáveis pela gestão do esporte. A Uefa argumenta que, sob esse modelo de propriedade privada, as decisões sobre calendários internacionais e formatos das competições deixariam de ser guiadas pelo que é melhor para o esporte e passariam a privilegiar o retorno financeiro dos acionistas. A oposição ao plano não é exclusiva da Europa, recebendo também a rejeição das confederações da América do Norte, Central e Caribe (Concacaf) e da Ásia (AFC).>
Para que o boicote seja encerrado e as seleções europeias confirmem presença no Mundial Feminino no Brasil, a Uefa exige o abandono total da proposta e garantias vinculativas de que a governança da Fifa jamais será aberta ao capital privado no futuro. A entidade reforçou que o futebol não pode "hipotecar seu futuro em busca de lucro" e que a Copa do Mundo é um legado construído por gerações que pertence ao futebol e seus torcedores, não estando, portanto, à venda.>
Texto por Suellen Godinho, com supervisão de Adrielle Brito.>