Publicado em 30 de julho de 2026 às 15:03
A União das Federações Europeias de Futebol (Uefa) anunciou nesta quinta-feira (30), após uma reunião de emergência, que irá boicotar todos os torneios organizados pela Fifa. A decisão drástica ocorre em resposta à proposta da federação internacional de criar uma empresa para gerir suas operações comerciais e captar recursos por meio da venda de participações para investidores privados, em um modelo comparado ao de uma Sociedade Anônima do Futebol (SAF).>
Em um comunicado oficial incisivo, a Uefa e suas 55 associações-membro afirmaram que não participarão de qualquer competição da Fifa enquanto a proposta não for totalmente abandonada. A entidade europeia argumenta que a Copa do Mundo é um legado esportivo construído por gerações e não deve ser tratada como um "produto de investimento". "A Copa do Mundo não está à venda", destacou a nota da organização.>
A proposta, defendida pelo presidente da Fifa, Gianni Infantino, prevê a transferência de participações de propriedade da Copa do Mundo e de outros torneios para investidores externos. Infantino ressaltou que a ideia é, por ora, apenas uma oferta e dependeria da aprovação da maioria das 211 nações filiadas à entidade para ser concretizada. No entanto, a Uefa criticou duramente o fato de um plano dessa magnitude ter sido "concebido em segredo" e levado à beira da aprovação sem consultas significativas, classificando o ato como uma "profunda falha de liderança".>
Segundo a posição europeia, a entrada de acionistas mudaria o futebol para sempre, pois o retorno comercial se tornaria uma obrigação permanente. A Uefa sustenta que, sob esse modelo, as decisões sobre o calendário internacional e os formatos das competições deixariam de servir ao jogo para privilegiar os interesses dos acionistas.>
Como condição para encerrar a paralisação, a Uefa exige que a proposta seja abandonada em sua totalidade e que sejam dadas garantias vinculantes de que a Fifa jamais abrirá sua governança ou suas competições à propriedade privada no futuro.>
"Há momentos em que as instituições são julgadas não pelo que estão preparadas para aceitar, mas pelo que se recusam a comprometer. Este é um desses momentos", concluiu o comunicado assinado pelas associações europeias, reforçando que o futuro do futebol não pode ser ditado por aqueles que buscam apenas maximizar lucros financeiros.>
Texto por Suellen Godinho, com supervisão de Adrielle Brito.>