Publicado em 9 de abril de 2026 às 18:26
O rapper e DJ Afrika Bambaataa, considerado um dos principais pioneiros e arquitetos da cultura hip-hop, morreu nesta quinta-feira (9) aos 67 anos. Segundo informações divulgadas pelo portal de notícias TMZ, o músico faleceu durante a madrugada em decorrência de complicações de um câncer.>
Nascido no bairro do Bronx no final da década de 1950, Bambaataa teve uma juventude marcada pela liderança na gangue Black Spades. A partir dos anos 1970, ele passou a organizar festas de rua que transformaram a energia das gangues em manifestações artísticas, consolidando o espaço para o hip-hop. Em 1980, ele fundou a Universal Zulu Nation, um coletivo que reunia rappers, grafiteiros e b-boys em torno de um movimento cultural engajado.>
O maior marco de sua carreira foi o lançamento de "Planet Rock", em 1982. A música revolucionou o gênero ao utilizar samples da banda eletrônica alemã Kraftwerk e batidas da bateria eletrônica TR-808, criando o electro-funk. Essa fusão influenciou globalmente estilos como o techno, a house e o EDM.>
No Brasil, a obra de Bambaataa teve um impacto direto e profundo. A mistura da batida seca e grave de suas produções deu origem às chamadas "melôs" dos bailes do Rio de Janeiro nas décadas de 80 e 90. Essa sonoridade serviu como a base fundamental para o desenvolvimento do funk carioca, que mais tarde se tornaria um sucesso nacional.>
Além da música, Bambaataa teve um histórico de ativismo, participando em 1985 do álbum antiapartheid “Sun City” ao lado de artistas como Joey Ramone e U2. No entanto, seus últimos anos de vida foram marcados por problemas judiciais; ele enfrentou graves acusações de abuso sexual ocorridas entre os anos 80 e 90, tendo sido obrigado a pagar um acordo judicial a um de seus acusadores em 2025.>
Texto por Suellen Godinho, com supervisão de Cássio Leal.>